Vem Aí: Holger

Quem: Holger
Disco: “Sunga”
Lançamento: 11 de setembro
Sai por onde: Trama
O que já dá para ouvir: “Let’em Shine Below”

“O lance é fazer musica com o coração“.

A frase acima podia ter saído da boca de uma boa parte dos músicos e continuaria soando como um tremendo clichê de artista bom-moço, mas quem acompanha o Holger há algum tempo sabe que há um sentimento verdadeiro por trás de cada uma dessas palavras soltas por Pata numa conversa de gtalk. Acho que eu nunca vi uma banda gostar tanto de ser banda como Holger. Está na música, nos shows, no mitológico do Ursão, no twitter, no flickr. É também o que move conceitualmente “Sunga”, primeiro disco do grupo.

Segundo Pata, além de ser um nome que funciona em todas as línguas, “Sunga” é algo como um grito de libertação, um conquista:

Usar sunga (pelo menos em SP) é uma conquista. Meninos usam bermuda porque fazem um estilo de bermuda e se esquecem da sunga, tem vergonha da perna. Quando você redescobre a sunga, o conforto, a liberdade, você adquire uma felicidade única. Só que tudo isso reflete no resto da sua vida. No momento em que “colocamos a sunga”, nosso gosto músical mudou muito. Gostamos de muita coisa diferente e não temos vergonha alguma de levantar a badeira do axé ou qualquer outra bandeira hoje em dia. New Order é perfeito. Hot Chip também é. Arthur Russel, Pavement, Chemical Brothers também. Leonard Cohen e Luiz Caldas também, E os discos do Novos Baianos, ou qualquer coisa que o Jorge Ben já encostou. Ou a Banda Mel, o Jay-Z, o Contra Fluxo. Calypso, Beatles, Elliot Smith e Do Amor. Gostamos de todos eles. Isso é usar a sunga. O lance é fazer musica com o coração, isso é o que importa, o resto do corpo só auxilia.

A diversidade trazida pela sunga já foi comprovada no single “Let’em Shine Below”, mas para chegar na sonoridade que eles pensavam para o disco foi necessário um processo cansativo, mas recompesador de gravações.

Estávamos entre melhores amigos, sem nos preocupar com horas, podendo fazer o que bem entendêssemos. Com os melhores engenheiros de som e o melhor produtor que poderíamos ter. O clima estava perfeito, mas nunca poderia ter imaginado que aconteceria da maneira que aconteceu. Se me falassem que iria ser assim há um ano atrás provavelmemnte eu acharia loucura. Na verdade foi uma loucura, mas deu certo. Trouxemos um produtor de outro país para morar conosco durante um mês. Ele poderia ser ruim. Ele poderia ser um puta de um mala. Tivemos que correr atrás de equipamentos e boa vontade de amigos próximos. Gravávamos cerca de 16 horas por dia, durante 16 dias, sem pausar e não tivemos nem uma discussão séria. Tudo estava perfeito, mesmo com as chuvas torrenciais e diárias de janeiro e a pouca verba. Durante toda a gravação bebemos litros de café e cachaça e fizemos o que bem entendemos durante aqueles dias, já dá saudades de lembrar. Quase não dormimos, foi muito puxado. Entregamos nesse disco mais do que nossos corpos aguentavam  e não tínhamos garantia nenhuma.

O tal “produtor de outro país” é Paul Roger Manson, indicado por Brian McOmber, baterista do Dirty Projectors, de quem Pata ficou amigo quando abriu o show ano passado. Paul trabalhou durante todo mês de janeiro com a banda, Gui Jesus e Bernardo Pacheco, guitarrista do Elma e técnico de som do Holger em shows. A escolha do produtor, conta Pata, foi um ato de confiança.

Costumo brincar que o artista é a mãe, a música é o filho e o produtor é o pediatra. O pediatra te ensina a cuidar do seu filho, te ensina a deixar ele mais forte. Às vezes ele vai fazer coisas que você não concorda mas é fundamental confiar no pediatra escolhido. O Roger cresceu em outro ambiente, falando outra língua, comendo outras coisas e principalmente ouvindo coisas diferentes. Ele trouxe a bagagem de ter nascido e crescido no Brooklin. De ser um produtor de lá. Trouxe outra visão completamente alienada de nossa cena local. Coube a nós entregarmos nosso filho e confiarmos no nosso pediatra. Confiamos.

“Sunga” será lançado dia 11 de setembro pelo Álbum Virtual da Trama (com tags corretas, esperamos) e trará um belo projeto gráfico assinado pela artista Ana Tokutake. Ana foi uma das muitas pessoas que, segundo Pata, “trabalharam plea amizade e porque acreditavam no trabalho” para possibilitar que o mundo ouvisse o primeiro disco Holger. E, pode apostar, nós realmente queremos ouvir “Sunga”.

Logo após o lançamento, a banda embarca numa turnê pelos Estados Unidos e Canadá entre Setembro e Outubro, com passagens por Boston, Filadélfia, NY e Montreal. Sunga tomar conta do mundo.

“Sunga”
01. “No Brakes”
02. “She Dances”
03. “Let’em Shine Below”
04. “Transfinite”
05. “Caribean Nights”
06. “Toothless Turtles”
07. “Beaver”
08. “Undesireble Regrets”
09. “Who Knows”
10. “Eagle”
11. “Geneçambique”

[Para quem não percebeu, a seção Vem Aí é a antiga “Os Discos Brasileiros Mais Esperados De 20xx”, local onde a gente fala dos discos brasileiros que ouviremos num futuro próximo.]