
Fora os fãs, alguém sabe quem é quem no Belle And Sebastian além do vocalista e “chefe” Stuart Murdoch sem uma boa pesquisada? Acho muito mais fácil alguém falar sobre a Isobel Campbell, que já saiu há quase oito anos da banda, ou sobre como gosta dessa “dupla” do que acertar o nome de qualquer outro integrante. Injustiça com esses caras. Poucas bandas tem um som tão seu quanto o Belle & Sebastian e com certeza esse mérito não é só de Stuart, ainda que seja impossível precisar isso. É fato que a banda desde o seu primeiro disco não vacila muito. Dos ótimos três primeiros albúns em exatamente três anos e dois discos menores na sequência, após a saída de Isobel em 2002, a banda redefiniu sua postura e só melhorou. O grupo que fez “Storytelling” ainda está lá, só um pouco menos pretensioso sabendo que pode escrever grandes músicas pop.
Nessa mudança ficaram menos lo-fi e calminhos para um som mais próximo do rock, mas isso na falta de outro termo. Eles continuam desagrandando quem gosta de barulho e seguem fazendo delicadas e cuidadosas melodias. Um som que agrada – ou desagrada – logo. Nesse novo disco não é preciso muito para sacar que é o Belle and Sebastian ali, ainda que a voz de Stuart só entre na primeira música, “I Didn’t See It Coming”, lá pelo final.
É certo que muitas criticas cairão na conversa de que a banda está se repetindo. Longe disso, ganhar uma sonoridade tão própria não é se repetir. Diferente de um U2 reciclando riffs, o Belle and Sebastian parece fazer canções diferentes com uma pequena palheta de cores a disposição. Mesmo que venha a sensação de que você já escutou “Come on Sister” ou “I Want The World To Stop” elas não soam como sobras de uma banda cansada. A criatividade deles está intacta, ainda que pareçam seguir uma cartilha de composição de vez em quando que se repete bastante e pode cansar. A fórmula dos versos dobrados com as harmonias vocais deixa muitas músicas com o mesmo gosto, mas tudo bem enquanto eles fizerem bons refrões, como é o caso aqui.
Se um dos pontos positivos do disco é a manutenção das qualidades dos dois trabalhos anteriores, outro acerto é quando eles inovam. Aí entra em cena Norah Jones e a banda faz uma balada com toque de jazz, excelente e bem diferente de qualquer coisa feita antes. “Little Lou, Ugly Jack, Prophet John” é uma música deliciosa e tem um toque especial, uma cadência que foge do padrão caracteristico do grupo. A influencia de Norah é enorme nessa quase bossa, o que lembra muito a participação dela no disco do Foo Fighters, “In Your Honor”. Outros momentos diferentes aparecem quando Stuart dá espaço para o guitarrista Stevie Jackson cantar a animada “I’m Not Living In The Real World”. Outra participação especial é a da linda atriz Carey Mulligan, conhecida por ser a protagonista de “Educação” – que tem roteiro de Nick Hornby, o autor do livro “Alta Fidelidade”, que em sua versão para o cinema contém provavelmente a mais engraçada citação pop ao Belle and Sebastian. Ela faz os vocais na faixa-título “Write About Love”, outra que tem gosto de já escutei antes, mas é ótima. O lado mais acústico e melancólico, que lembra os primeiros discos, aparece só um pouco e é na curtinha “Read The Blessed Pages”.
“Write About Love” é o disco de um grupo muito tranquilo e seguro, tanto que vem do maior hiato da banda, 4 anos. Até as composições menos marcantes não são faixas fracas para completar o disco. E o equilibrio entre composições que são características do grupo com coisas novas acabam sendo uma opção melhor do que pirar em mudar completamente de uma vez só e errar feio. Numa banda dedicada dessas, saber só o nome de um dos integrantes é um erro mesmo. Ainda que os melhores discos tenham ficado com o final dos anos 90, aquela época estranha do rock, não é nada má idéia um disco bom deles de três em três anos. Sem pressão. Quem precisa de outro disco clássico?
[“Write baout Love”, Belle & Sebastian. 11 faixas (13 na versão em vinil) com produção de Tony Hoffer. Lançado pela Gravadora Rough Trade, em outubro de 2010.]
[rating: 4/5]
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