Bloody Mixtape #04: Aquele Indie Axé

Como uma criança que viveu os anos 90 e gostava de carnaval, muito da minha memória afetiva relacionada à folia vem das canções de Axé. Toque o disco ao vivo da Banda Eva de 97 (ou qualquer disco dessa época que tenha feito sucesso) que provavelmente eu vou saber cada uma das músicas de cor. Tenho uma leve impressão que há muita gente igual a mim.

De todos os ritmos populares dos anos 90, talvez o que mais tenha se infiltrado na música independente brasileiras nos últimos anos tenha sido o axé. Talvez por ter nascido em “bons” berços setentistas (Novos Baianos, Moraes, o próprio Caetano), a (re)avaliação do gênero como uma influência esteticamente aceitável tem ocorrido de Curitiba a Recife, com paradas no Rio, em São Paulo, Macieió e na capital Salvador.

Para comemorar o carnaval e documentar um pouco da produção do assim chamado Axé Indie nos últimos 10 anos, o Bloody Pop lança a mixtape Aquele Indie Axé. O termo, como bem disse a Kátia Abreu, “é uma vibe, não um ritmo”, o que transforma essa mixtape mais numa reunião de boas faixas que compartilham o mesmo espírito, do que algo que defina a gramática do novo gênero. As faixas estão ordenadas cronologicamente, indo do primeiro disco do Lucas Santtana no início da década (que, curiosamente, foi lançado por uma major e tem um hit de novela) a novíssima “Sem Falsas Promessas” dos cariocas do Tono. No meio, encontramos Do Amor inteiro e metade dele tocando com Caetano, Holger, Baiana System e outros que levantaram essa bandeira.

Aquele Indie Axé

http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F622603&show_comments=true&auto_play=false&show_playcount=true&show_artwork=true&color=ff000b Bloody Pop apresenta: Aquele Indie Axé by bloodypop

*por algum motivo, o Soundcloud não me deixa subir a música “A Cor Amarela” do Caetano, mas ela vem no zip.

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Repeat: "A Maré Nenhuma", Nuda


Faz mais de um ano que falamos do disco dos pernabucanos do Nuda pela primeira vez aqui no Bloody Pop. Originalmente previsto para ser lançado em 2010, “A Maré Nenhuma” só deve chegar nos próximos meses, o que não impediu que a banda soltasse algumas prévias antes do lançamento. Para ajudar na promoção da banda na Feira Música Brasil, o Nuda fechou um EP com três faixas pré-mixadas/masterizadas que entraram no novo disco e aproveitou para jogar na internet também.

O EP conta com a faixa-título do álbum, “Em Nome do Homem” e a versão da banda para “Ode Aos Ratos”, de Chico Buarque. Se nessas duas últimas a banda parece mais disposta a causar alguma reação mais visceral do ouvinte – as duas são bem barulhentas, lembrando uma versão com sotaque do esporro politicamente consciente do Violins – “A Maré Nenhuma” encontra o Nuda no seu momento mais solto. O samba não é exatamente uma língua incomum para banda nem para seus contemporâneos, no entanto, o que eles conseguem na faixa é algo raramente tentado desde que o ritmo voltou a habitar a paleta do rock brasileiro. Seja quando usado como acessório (Los Hermanos, Wado) ou objeto de estudo (Romulo Fróes), o samba no indie brasileiro nunca foi dado a catarse, talvez por estar quase sempre emparedado pela guitarra ou pela busca pela “canção bonita”. Ao contrário, “A Maré Nenhuma” funciona como samba-de-terreiro de um homem só. Claro, há o coro e há aquela sensação meio coletiva de que a música pode redimir qualquer pecado enquanto houver quem cante, mas a sutileza na produção deixa claro que tudo aqui gira numa esfera bem mais pessoal do que pede uma roda de samba.

A faixa é de uma beleza exemplar, num nível que a banda ainda não tinha mostrado que era capaz até aqui. Como nos explicou o vocalista Raphiro, a maré nenhuma “significa tentar fazer o seu melhor e mergulhar nessa maré, ser guiado pra onde ela for levar”. No caso deles, tudo indica que a maré vá os levar bem longe.

http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F11229204&show_comments=true&auto_play=false&color=ff000b 01 Nuda – A Maré Nenhuma by bloodypop

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Um mea culpa e outras coisas

Antes de qualquer coisa, queria fazer um pedido pessoal (tipo eu, Livio Vilela) de desculpas pela inconstância do Bloody Pop nos últimos meses. Minha culpa total e irrestrita. Espero imensamente que as coisas (tempo, basicamente) melhorem a partir desse post.

Dito isso…

Queria fazer um agradecimento especial ao Rafael, aka o garoto-prodígio da crítica musical brasileira, que vem mantendo o blog minimamente atualizado quase que sozinho nos dois últimos meses, com alguns dos textos que eu pessoalmente considero dos melhores que o Bloody Pop já publicou.

Além das resenhas do Rafael, outra coisa que rolou nesses primeiros dois meses de 2011 foi o fim das nossas listas de Melhores de 2010. Quer dizer, não acabou totalmente porque ainda não publicamos as nossas listas de melhores discos do ano passado, mas a lista de faixas ficou tão bacana e vocês já estão tão cansado do ano passado, que não vale ficar gastando saliva para te fazer entender porque aqueles discos são tão bons. Caso você insista, as duas listas – nacional e internacional – seguem no fim desse post.

O que dá para prometer por enquanto é que logo logo vem aí uma mixtape de axé (indie, na sexta), a melhor música brasileira do ano até agora (hoje) e o retorno das atividades do Vem Aí (com um novo calendário, com OITENTA E POUCOS DISCOS). E resenhas, entrevistas e a bipolaridade de sempre.

Agora, as listas. Como você previa, os suspeitos usuais, com uma ou outra bossa. Caso você sinta falta de textos sobre esses discos, vale dar uma procurada no histórico, especialmente na seção de Resenhas e no Repeat, onde muitos desses são analisados com a pompa e circunstância merecidas.

Os 25 Melhores Discos Internacionais

25) Maximum Balloon – “Maximum Balloon”
24) Paul Weller – “Wake Up The Nation”
23) Wavves – “King Of The Beach”
22) Spoon – “Transference”
21) Tame Impala – “Innerspeaker”
20) Foals – “Total Life Forever”
19) Ariel Pink – “Before Today”
18) Flying Lotus – “Cosmogramma”
17) Laura Marling – “I Speak Because I Can”
16) Joanna Newsom – “Have One On Me”
15) Gorillaz – “Plastic Beach”
14) Girls – “Broken Dreams Club EP”
13) Warpaint – “The Fool”
12) Grinderman – “Grinderman 2”
11) Broken Social Scene – “Forgiveness Rock Record”
10) Caribou – “Swim”
09) The Black Keys – “Brothers”
08) Janelle Monáe – “The ArchAndroid”
07) Vampire Weekend – “Contra”
06) Sufjan Stevens – “The Age Of Adz”
05) LCD Soundsystem – “This Is Happening”
04) Beach House – “Teen Dream”
03) The National – “High Violet”
02) Kanye West – “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”

Os 25 Melhores Discos Nacionais de 2010

25) Messias – “Escrever-me, Envelhecer-me, Esquecer-me”
24) Baiana System – “Baiana System”
23) Bárbara Eugênia – “Journal De BAD”
22) Lurdes da Luz – “Lurdez Da Luz EP”
21) Pata De Elefante – “Na Cidade”
20) Jr. Black – “RGB”
19) M. Takara 3 – “Sobre Todas E Qualquer Coisa”
18) Nevilton – “Pressuposto EP”
17) Vanessa Da Mata – “Bicicletas, Bolos E Outras Alegrias”
16) Luisa Maita – “Lero-Lero”
15) Emicida – “Emicidio”
14) Karina Buhr – “Eu Menti Pra Você”
13) A Banda de Joseph Tourton – “A Banda De Joseph Tourton”
12) Thiago Pethit – “Berlim, Texas”
11) Nina Becker – “Vermelho/Azul”
10) Inverness – “Somewhere I Can Hear My Heart Beating”
09) Apanhador Só – “Apanhador Só”
08) Superguidis – “Superguidis”
07) Holger – “Sunga”
06) Mombojó – “Amigo Do Tempo”
05) Guizado – “Calavera”
04) Garotas Suecas – “Escaldante Banda”
03) Cérebro Eletrônico – “Deus E O Diabo No Liquidificador”
02) Do Amor – “Do Amor”

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10 dicas

Durante os últimos meses, vocês viram aqui 10 dicas nossas para o Blog Vivo On. Além de nós, outros 99 blogs também deram dicas. Agora a Vivo preparou outra novidade para você. Adicione o vivoondicas@hotmail.com no seu msn, e converse com ele para saber o que melhor acontece na web e na sua cidade. São milhares de dicas sobre artes, esportes, música, humor, baladas e muito mais. Veja as nossas:

  1. NYC Taper te leva aos melhores shows de Nova Iorque sem sair de casa
  2. Setembro lotado de shows no RJ
  3. Pague Com Um Tweet
  4. Música no Festival de Cinema do Rio 2010
  5. Outubro: um guia
  6. Só os melhores
  7. Blogs de music business: por onde começar?
  8. Bandcamp: o Myspace-killer?
  9. Dezembro com música africana no Rio de Janeiro
  10. Compacto: encontros da nova música brasileira

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O texto que você leu é publicitário. Este aviso representa nosso compromisso em indicar com clareza para o nosso público qualquer ação do gênero.

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Disco: "Wounded Rhymes", Lykke Li

Lykke Li é a moça de rosto exótico que ganhou muita gente com “I’m Good, I’m Gone” e “Little Bit”. Apresentada como uma espécie de pequeno frasco capaz de liberar as fragrâncias mais doces e cruéis do chamado “pop de grife”, a expectativa já era grande, quando “Youth Novels”, sua estréia “cheia”, chegou aos ouvidos de muitos. E se algumas faixas entregavam o que os dois primeiros singles prometiam, num misto de doçura arrulhada e desdém de menina-moça, o disco não era um sucesso total. Tinha seus momentos, mas acabava num limbo entre o marcante e o esquecível. Continuar lendo

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Disco: "The King Of Limbs", Radiohead


Eu achava que catarse, de tão forte, a gente esquecia, que a coisa toda se queimava na hora em que nascia. Mas eu me lembro – da quarta-feira que me fez acordar uma hora mais cedo que o necessário, da tela do computador de cor escura e manchas coloridas que avisava “It’s up to you”, da sensação de ouvir as batidas nervosas e a guitarra suave de “15 Step” com os olhos marejados de sono, de ir à escola de fone enterrado no ouvido (uma das poucas situações daquele começo de manhã que eu não poderia definir como extraordinária). Continuar lendo

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LCD Soundsystem @ Vivo Rio, 17/02/2011

James Murphy estava cansado. Era o terceiro show da banda no Brasil naquela perna da turnê. Uma turnê que já tinha passado por quase todos os lugares por onde passam turnês de bandas indies na nossas época. A demanda era grande: todo mundo queria ver “All My Friends” – a música daquele ano – ao vivo, como se isso fosse um broche “2007, eu vivi”. A alegria e o descontrole eufórico das 300 pessoas que dançavam espalhadas debaixo da tenda do Circo Voador contrastavam com a estafa estampada na cara de James e de sua banda. Era demais para qualquer homem, mas mesmo assim ele fazia o esforço para seguir a risca o protocolo e dar àquelas pessoas 2 horas de estado de graça musicado por um híbrido perfeito de rock, música eletrônica e maturidade sem culpa. Foi um grande show, banda e público concordariam. Continuar lendo

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