Joy Division, New Order e os anos 2000

Chegaram aos cinemas brasileiros no último mês dois longa-metragens sobre Joy Division: a hypada biografia de Ian Curtis dirigida por Anton Corbijn, “Control” e o documentário que leva o nome da banda dirigido por Grant Gee (que havia feito o pertubador “Meeting People Is Easy” sobre o Radiohead na turnê do “Ok Computer”).

Ambos são grandes filmes, que mostram dois lados distintos e complementares de uma mesma história. Enquanto “Joy Division” destrincha na história do grupo usando como ponto de partida e chegada a cidade de Manchester, “Control” foca-se no drama de Curtis. Em linhas gerais, o documentário diz o que é Joy Division e o quão influente ainda é a banda, e a o filme de Corbijn conta a história do que havia por trás daquelas músicas que ainda permanecem tão assustadoramente melacólicas e atuais.

Aproveitando a chegada dos filmes ao Brasil (veja a programação depois do pulo), resgato um texto meu publicado em novembro passado na Revista Your Mother Should Know que tenta apontar uma hipóteses para entender a relação entre o Joy Division, o New Order e a influência que as duas bandas exerceram na música dessa primeira década dos anos 2000.

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Joy Division, New Order e os anos 2000

“Let’s dance to Joy Division” do novíssimo grupo inglês The Wombats é um dos singles de 2007 por representar a geração 2000 muito melhor que qualquer coisa que Billy Corgan venha lançar. É uma canção bastante comum para os padrões do atual pop britânico com seus três minutos de pura diversão escapista baseada em guitarras estridentes. O refrão convida o ouvinte a dançar ao som do Joy Division e celebrar a ironia de estarmos (aparentemente) tão felizes, enquanto tudo parece tão errado.

O Joy Division começou num show de rock. Alguns dizem que foi “O” show de rock. A apresentação do Sex Pistols no Lesser Free Trade Hall de Machester no dia 4 de junho de 1976 não é descrita como “o show que mudou o mundo” apenas pelos méritos musicais de Johnny Rotten e cia. Morrissey estava lá. Mark E. Smith também. Os Buzzcocks também. Tony Wilson, futuro dono da Factory Records, se acabou de dançar na mesma pista que ainda tinha Ian Curtis, Peter Hook e Bernard Summer. Entorpecidos e maravilhados pela energia dos Pistols, esses três perceberam que a melhor coisa do mundo era estar numa banda rock, mesmo que você não soubesse tocar coisa nenhuma. Summer e Hook compraram seus instrumentos. Logo, Ian Curtis responderia ao anúncio dos dois procurando um vocalista. Estava formado o Warsaw.

O nome veio do instrumental pesado “Warszawa”, faixa que abre a segunda parte de “Low” de David Bowie, uma das influências confessas do grupo. O primeiro show seria em maio de 77, abrindo para os Buzzcocks, ainda sem um baterista fixo, posição que seria assumida logo depois por Stephen Morris. Por causa da existência de um grupo londrino chamado Warsaw Pakt, a banda passaria a se chamar Joy Division meses depois. A fama crescente nos arredores de Manchester levaria a banda assinar contrato com a gravadora de Tony Wilson, a lendária Factory.

Daí para frente, a história correu rápida. Rápida demais para o fim dos anos 70. Rápida demais para Ian Curtis. Em pouco mais de dois anos o Joy Division se tornaria a face mais conhecida do nascente post-punk inglês e “Unknown Pleasures”, primeiro disco da banda, seria reconhecido como um clássico instantâneo. No álbum, o Joy Division apresentava um misto do som barulhento e vanguardista do Velvet Underground com a explosão de niilismo dos Stooges e dos Sex Pistols. Só que a explosão em “Unknown Pleasures” parecia contida (graças à produção de Martin Hennett), como se a fúria viesse de um quarto escuro, de um prisioneiro na solitária.

Em maio de 80, o Joy Division já tinha finalizado o segundo álbum, “Closer”, que mostrava uma banda mais amadurecida, mais experimental. Antes do lançamento previsto para julho, o grupo embarcaria na sua primeira turnê pelos EUA. Tudo que aquele show dos Sex Pistols prometia estava acontecendo. E Ian Curtis não se sentia bem com isso. As pressões de ser a “next big thing” do pop inglês, o casamento falido, as crises constantes de epilepsia (diagnosticada em 78, após um show) e os medicamentos pesados para controlar a doença se juntaram há uma visão bastante peculiar da situação humana que transparecia nas letras. Ian Curtis se enforcou no dia 18 de maio de 1980, deixando uma legião crescente de fãs, que via nele um símbolo muito maior do que ele jamais desejou ser.

“Closer” se tornou o disco daquele ano na Inglaterra, tanto pelo mito instantâneo gerado pelo suicídio de Curtis, quanto por sua qualidade inegável. É o álbum que melhor faz a transição entre o fim dos anos 70 e a chegada dos 80. Nem o niilismo absoluto dos Sex Pistols e dos Ramones, nem o engajamento e a consciência do Clash e do Gang Of Four tinha conseguido frear a chegada da multicolorida e higienizada era dos yuppies. O sentimento de derrota, de incapacidade e de impossibilidade, esse terror provocado pela falta de qualquer perspectiva é o tema central de “Closer”. Até o amor – sempre a última das esperanças – vai nos dilacerar, diz o single póstumo e grande hit da banda, “Love will tear us apart”.

O suicídio de seu vocalista não levou só a uma outra significação do Joy Division, como criou algo muito maior, um ícone chamado Ian Curtis. E nenhuma banda, por melhor que fosse, poderia conviver com um mito desses. Tudo isso levou os integrantes remanescentes Peter Hook, Bernard Summer e Stephen Morris a abandonarem o antigo nome e incluir a tecladista Gillian Gilbert (namorada de Morris) para então voltar à música, meses depois da tragédia, sob a égide de New Order.

Apesar de ser uma das últimas composições do Joy Divsion, o primeiro single do New Order já indicava outro caminho. Lançada no começo de 81, “Ceremony” mostra uma banda se distanciando dos climas estáticos e contidos de “Closer”. A linha de baixo parece seguir sozinha, flutuando ao infinito, como se estivesse fugindo daquele momento, buscando algo que aliviasse a dor revelada pela guitarra e pela voz de Summer. Era brilhante, mas indicava pouco do que viria a seguir.

Depois as gravações do primeiro álbum (“Movement”, 81), ainda assombrado pelo Joy Division e pela morte de Curtis, a banda passaria por Nova Iorque. Na cidade, o New Order se jogou na nascente cultura da música eletrônica. Dessa temporada, sairiam os próximos singles “Everything’s gone green” e “Temptation” que apostavam alto nas possibilidades do novo som e sua união com os caminhos já conhecidos do rock.

A revolução viria em 83, com o lançamento do single “Blue Monday”. De repente, não havia mais barreiras: o rock, o pop e a eletrônica andavam juntos, em favor da boa música. A bateria eletrônica dispara como metralhadora, enquanto sintetizadores, baixo e programações se digladiam por espaço. O teclado de Gillian soa tão magoado quanto a voz de Summers. Ao invés de mergulhar nesse sentimento, o clima da música vai em outra direção, – dançante, pop, divertida – nos lembrando que é a própria busca por satisfação que nos faz insatisfeitos. Foi o compacto mais vendido daquele ano e de todos os tempos.

O segundo álbum, “Power, Corruption & Lies”, aprofundaria os elementos de “Blue Monday”, colocando o New Order em definitivo no topo da vanguarda do pop, local que eles freqüentariam até o fim dos anos 80. “Low Life” (85) e “Brotherhood” (86) continuaram fundindo Kraftwerk e as novas variações da eletrônica (house, techno, electro) com o post-punk e uma sensibilidade pop sem igual. Os singles desse período seriam reunidos em 87, na clássica coletânea “Substance”.

Durante esses anos, o New Order e toda a necrofagia em torno do Joy Division se tornariam a grande e única receita da Factory, virando também o porto-seguro quando as contas do The Haçienda (mega-clube aberto por Tony Wilson em Manchester em 82) não iam bem. O local ganharia fama anos depois ao se tornar o epicentro da cena de acid-house da cidade, num movimento que ganhou o nome de Madchester e deu ao mundo Stone Roses, Happy Mondays, Charlatans e Primal Scream.

A imersão na cena do Haçienda e uma temporada encharcada em drogas no balneário de Ibiza seriam as influências mais marcantes de “Technique” (89), o grande álbum da banda. Tão coeso quanto em seus singles, o New Order mostrou nesse disco a perfeita combinação seus trabalhos anteriores e a acid house. Em contraste ao clima up beat, as letras falam sobre fim de relacionamentos (Summer tinha recém terminado um casamento), ressaca moral e insatisfação.

“Technique” seria o último grande acerto do New Order, que depois de quatro anos dedicando-se a projetos paralelos, voltaria em 93 para lançar o medíocre “Republic”. Seguiu-se mais um hiato até 2001, quando a banda lançaria o quase revigorante “Get Ready”, marcado por um peso incomum nas guitarras. O álbum foi puxado por “Crystal”, um dos grandes singles da década. 2005 seria o ano de “Waiting For The Siren’s Call”, uma mera continuação do álbum anterior, apesar de alguns momentos de brilhantismo.

“Let’s dance to Joy Division” não poderia chegar em hora melhor. Em 2007, completam-se trinta anos do primeiro show do Joy Division e o New Order oficialmente não existe mais após a turbulenta saída de Peter Hook, devido a desentendimentos com o resto da banda. Mesmo com o clima pesado, Hook, Morris e Summer (Gillian Gilbert não voltou em “Get Ready”) tiveram que se encontrar recentemente para o lançamento mundial de “Control, cine-biografia sobre o companheiro Ian Curtis, dirigida por Anton Corbjin, fotógrafo e diretor de clipes, incluindo os do Joy Division. O ano vem, assim, sacramentar o que já era óbvio para muita gente: o Joy Division e o New Order são as bandas mais influentes para essa geração, e isso tem muito a ver com o comportamento flagrado pelos Wombats.

O Joy Division e o New Order são duas faces da mesma moeda e por mais que isso soe historicamente óbvio, não é tão fácil de perceber. A primeira vista, qual é a relação entre o pop açucarado de “True faith” (do New Order) e a tristeza absoluta de “Twenty-four hours” (do Joy Division)? Ambas as bandas falam da falta de perspectiva e da desesperança, porém, da mesma maneira que soube se reinventar musicalmente, o New Order conseguiu olhar esse mesmo sentimento de uma maneira própria.

A intenção pode não ter sido essa, mas não há como negar que a dor de Ian Curtis serviu para projetar um mal-estar social que já vinha desde o fim dos anos 60. Ian escrevia sob sua própria vida: o casamento em frangalhos, a epilepsia, sua incapacidade em corresponder às expectativas (as dele e as do mundo), e, em nenhum momento, parecia enxergar um futuro sem esses problemas. As imagens sugerem alguém perdido no meio do nada (a tal “Interzone”), congelado, incapacitado, tanto pelo próprio fracasso, quanto pelo medo de falhar novamente. As palavras terminais são repetidas e reafirmadas em cada canção. E Curtis se matou, dando um fim incrivelmente lógico a história do Joy Division.

Entretanto, há que se entender as diferenças entre os dois discos do Joy Division. Os dois partem do mesmo atoladouro emocional, mas em “Unknown Pleasures” o interlocutor ainda consegue se apegar a algum brilho que possa tirá-lo daquela situação.

Na frase que abre o álbum, Curtis diz estar à espera de guia que possa levá-lo pela mão. A descrença vai aparecendo ao longo o álbum. O hedonismo é bestializado em “Shadowplay” e a busca desenfreada de “Interzone” acaba se transformando numa tentativa de fuga, fracassada. Em “I remember nothing”, ele se entrega, “preso numa jaula, rendido cedo demais em meu próprio mundo”.

“Closer” é sobre essa rendição resignada. Curtis parece se sentir envergonhado em não conseguir lutar (“Eu sinto vergonha do que passei, eu sinto vergonha da pessoa que sou”, diz um trecho de “Isolation”). Mesmo seu único sonho realizado, o de estar numa grande banda de rock, não lhe traz mais satisfação. “Esse é o personagem que você queria viver?”, se pergunta em “Passover”. “Heart and soul” é sobre continuar apenas por inércia, sobre chegar num estado emocional no qual o presente não importa e de onde “não há mais volta”. Nas três últimas (“Twenty four hours”, “The eternal” e “Decades”), a negação do futuro é encarada como algo imutável, algo que vai acabar por sufocá-lo aos poucos, só bastando esperar e assistir o final.

O New Order parte pouco antes dessa última resignação, que, de certa forma, foi o momento do suicídio de Ian Curtis. Longe de acreditar no futuro, a música é sobre a vida na inércia do presente e nossa eterna busca por prazeres momentâneos. É trilha-sonora para os que deixaram de acreditar e importar. Hedonistas e eternamente insatisfeitos. As letras falam geralmente de desencontros amorosos simples (“Bizarre love trinangle”, “Confusion”, “Round and round”), paixonites de pista (“Temptation”, “Crystal”, “Thieves like us”) ou de baladas (“The perfect kiss”). Nos momentos de lucidez, a ressaca (“Blue Monday”).

A influência do Joy Division e do New Order na música contemporânea é tão grande que fica até difícil rastreá-la. Pense: desde o marco inicial do rock nessa década (“Is This It?”, dos Strokes, em 2001), quantas bandas vocês já ouviu que reciclam o som do pós-punk inglês, em especial, do Joy Division? Quantos artistas já foram celebrados por apostarem na “fusão de rock e eletrônica”, coisa que o New Order já fazia lá no começo dos anos 80? Dezenas? Centenas? Eu não me atrevo a contar.

Já não cabe acusar todos esses grupos de derivativos, a uma boa parte está produzindo boa música e dando passos para além sombra de suas grandes influências. O que talvez importe, na verdade, é entender porque, 20 anos depois, a música do Joy Division e do New Order se tornou um guia estético para essa geração. É nisso o single dos Wombats, na sua simplicidade, oferece algumas pistas.

A afirmação presente em “Let’s dance to Joy Division” (“Everything is going wrong, but we’re so happy”) pode ser entendida como um resumo de todo o discurso dessa geração. É um tipo bastante peculiar de encarar a vida, pois mesmo com a clara certeza que o mundo está no caminho errado, continuamos nos isentando, aceitando a impossibilidade de mudança como a única certeza. É a geração que está vendo o fim do mundo transmitido ao vivo, com som e imagem digitais. E nós nem nos importamos com isso, o fim do mundo – a imagem e som digitais importam bastante, não é?

Ao que tudo indica, o revival post-punk começou com “Turn On The Bright Lights” (2002), disco de estréia do Interpol. É o primeiro e melhor álbum sobre esse novíssimo niilismo urbano, tomando como cenário a Nova Iorque em ruínas do pós-11 de setembro. Os personagens flanam pela cidade fisicamente e moralmente arrasada, se entorpecendo de pequenos prazeres (“Obstacle 1”, “Stella was a diver and she was always down”) e “treinando para não se importar” (“NYC”). Muito como a Manchester do Joy Division, a metrópole do novo milênio – seja ela NYC, Londres, Montreal ou São Paulo – é parte da causa e da conseqüência do “not to care” repetido como mantra. A cidade precisa ser salva, ser transformada num grande coração do qual se possa fazer parte, diz “Next exit”, faixa de abertura do segundo álbum do Interpol (“Antics”, 2004).

Como nenhuma outra banda antes ou depois, o Joy Division cantou a frustração, os idealismos fracassados e os sonhos que permaneceram sonhos. Essa mesma inspiração motivou os canadenses do The Stills e os ingleses do Bloc Party nos seus discos de estréia, respectivamente, “Logic Will Break Your Heart” (2003) e “Silent Alarm” (2005). “Quando somos novos todos temos diferentes ideais e alguns sonhos. Pensamos que o mundo vai funcionar da forma que queremos e depois nos vemos obrigados a arranjar um trabalho para ganhar dinheiro e percebemos a lógica da sociedade. E essa lógica vai partir seu coração”, resumiu Tim Fletcher dos Stills sobre o disco que acabava de lançar. Tão direto quanto essa afirmação, “Logic” é emocionalmente destruidor por sua simplicidade.

As guitarras, ora estridentes, ora atmosféricas, fazem cama para o vocal impassível de Fletcher, que empilha frases de um cinismo tão cotidiano quanto suas frustrações.
Esse mesmo sentimento aparece de maneira diferente em “Silent Alarm”. O Bloc Party é raivoso, articulado e confuso como Tyler Durden, personagem de Brad Pitt em “Clube da Luta”. Muito mais “Unknown Pleasures” do que “Closer”, “Silent Alarm” é quase uma versão long-play com guitarras rápidas, baixo pulsante e bateria esmurrada daquele último discurso de Durden:

“Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don’t need. We’re the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War’s a spiritual war… our Great Depression is our lives. We’ve all been raised on television to believe that one day we’d all be millionaires, and movie gods, and rock stars. But we won’t. And we’re slowly learning that fact. And we’re very, very pissed off.”

Nem tudo é raiva no Bloc Party. Um dos momentos mais interessantes de “Silent Alarm” é “This modern love”, um delicada e quase comovente reclamação sobre – você adivinhou – o amor moderno. Kele Okereke pergunta, retórico, “Why so scared of romance?”. Mas que romance?

“Love will tear us apart” é sem dúvidas a música mais conhecida do Joy Division, muito devido ao seu lançamento ainda no calor do suicídio de seu vocalista. A bela melodia e o vocal suave contrastam com o ressentimento da letra, claramente inspirada no fim do casamento de Ian Curtis. Talvez por ter sido baseado no livro de Deborah Curtis (“Touch From a Distance”), “Control” tem grande parte de sua história focada na relação conflituosa dos dois. O amor incondicional de Deborah batia de frente com a nova vida de rockstar de Ian, mas não era só isso. O filme mostra Curtis frustrado até com sua relação com a amante Anik Honoré, como se o último brilho de esperança – o amor – fosse apagado e solapado como todo resto.

Como o New Order, o Franz Ferdinand canta o fim do romance, o amor como mero termo pomposo para tensão sexual. O timbre mezzo Bowie mezzo Morrissey do líder Alex Kapranos dá ainda maior poder de fogo às letras afiadas pelo cinismo. Kapranos atira em todas as direções e acaba sempre acertando o amor, mas é em “Outsiders”, última canção do segundo disco da banda e música mais claramente influenciada pelo New Order (baixo conduzindo a melodia, bateria marcada, sintetizadores por todo lado), que a bala dilacera com perfeição seu alvo: “O amor vai morrer, os amantes desaparecer. Mas você vai continuar ali, espremendo nos dedos o que isso significa para mim. (…) você achou que eu estava sonhando com você. Eu só não te disse que o meu único sonho é o Valium.”

Os Wombats estão longe de serem tão mordazes quanto o Franz Ferdinand. Pelo contrário. Eles são mais uma bandinha comum, quase ordinária do quase ordinário pop britânico safra ’06 / ’07, e talvez por isso personalizem tão bem essa geração. Como eu, você e qualquer um com menos de 30 (sorry, older people!), os Wombats são filhos do cinismo. “A Guide To Love, Loss And Desesperation”, seu recém-lançado disco de estréia, se resume na primeira música, “Tales of girls, boys & marsupials”, com os três membros repetindo à exaustão o título da faixa. São 13 canções diretas, recheadas de tiradas espertinhas – “Isso não é nenhum Bridget Jones” é minha preferida – sobre garotos, garotas e qualquer outra coisa, como comédias românticas, namorar uma prostituta, levar um tapa na pista de dança e, claro, dançar Joy Division. Sem grandes sonhos, sem grandes perspectivas, nós e os Wombats celebramos a ironia. E estamos felizes fazendo isso. Muito felizes.

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Programação

Joy Division
Rio de Janeiro
Cine Estação Botafogo, 01 – 16h20 – 18h10 – 20h – 21h50
São Paulo
Espaço Unibanco de Cinema Pompéia, 07 – 13h30 – 15h30 – 19h50 – 22h
HSBC Belas Artes, Aleijadinho – 15h – 17h – 19h – 21h

Control
São Paulo
Espaço Unibanco de Cinema Pompéia, 07 – 17h40
Frei Caneca Unibanco Arteplex, 05 – 14h
HSBC Belas Artes, Cândido Portinari – 14h10 – 18h50 – 21h10
Reserva Cultural de Cinema, 4 – 21h35
Porto Alegre
Guion Center, 01 – sex, sab e dom – 15h – 17h30 – 20h – 22h15
seg a qui – 15h – 17h30 – 20h
Brasília
Cine Academia, Academia 10 – 16h – 21h20

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5 respostas para Joy Division, New Order e os anos 2000

  1. Wendl disse:

    Como eu disse ao próprio Bernard Sumner em novembro de 2006 ao entregar um cd do kronx , “Eu me tornei o que sou graças à vocês que provaram que o pop poder ser algo além de descartável e passageiro…”
    Parabéns pelo texto, muito bem escrito e para min que passei quase 20 anos achando o mesmo, tudo isso que vc escreveu soa como inspiração para continuar!!!

  2. Leandro Gantois disse:

    Parabéns, esse texto é fantástico… tenho 21 anos e me sinto bem parecido com tudo isso que você descreveu. E concordo: Joy Division, New Order e todo o espirito do post-punk está vivo na nossa geração!

  3. Esse texto é fantastico repintdo comentario acima. Nada a declarar.

  4. Pingback: Filme sobre o Joy Division de volta em mostra de documentários

  5. jim anotsu disse:

    Matéria perfeita e linda e maravilhosa. E concordo em gênero e grau. No meu livro “Annabel & Sarah” uso exatamente The Wombats e Joy Division para falar sobre o que é ser jovem nos anos 2000, e acho que isso é a epítome de tudo. Parabéns.

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