Entrevista: Animal Collective

Nada pode te deixar suficientemente preparado para sua primeira vez com o Animal Collective. Quando a música começa, você é automaticamente catapultado para um outro lugar e no momento que aterrisa, percebe que alguma coisa, sabe-se lá o que, aconteceu. Pode ser tão assustador quanto maravilhoso.

Conheci o coletivo numa longínqua tarde de domingo, em 2005. A pessoa do outro lado do msn já me preparava “É bem estranho!”, e mesmo assim, quando o delírio vocal e percursivo de “Leaf house” começou a se alternar entre os alto-falantes do computador, não havia outra coisa a dizer além de “ok, Isso é MUITO estranho”.

A tal estranheza vem de uma mistura do folk psicodélico da virada dos anos 60 para o 70, noise, kraurock, pop psicodélico em geral (Flaming Lips, Beach Boys, Zombies, Mercury Rev, o pessoal da Elephant 6), música drônica e tribal e um quintilhão de outras referências que vão se alternando de álbum para álbum.

Como sua música, o Animal Collective não é uma banda, digamos, comum. O grupo, formado hoje por Avey Tare (David Portner, guitarra e vocal), Panda Bear (Noah Lennox, percussão, samplers e vocal), Deakin (Josh Dibb, guitarras e vocal) e Geologist (Brian Weitz, barulhos eletrônicos e mixagem), funcionou nesses oito anos mais como um veículo musical anárquico dos quatro – nem todos os discos foram gravados por toda banda e os shows nem sempre contam com os quatro músicos – do que uma banda em si. Hoje, por exemplo, Josh está curtindo um ano de férias, e por isso não deve vir com Animal Collective ao Brasil em novembro no Festival Planeta Terra.

Mesmo assim, os shows são o ápice dessa estranheza do Animal Collective. Ao invés de um setlist tradicional misturando músicas do último disco e favoritas dos fãs, a banda recheia suas apresentações com material inédito, fazendo pouca ou nenhuma concessão para canções mais antigas. É como ouvir um artista diferente a cada show.

Minha rápida conversa com Avey Tare foi focada nessa novas (e sensacionais) canções que o Animal Collective tem tocado em sua turnê atual. Como ele revela, o próximo álbum está quase completo, mas ainda não se sabe quando será lançado (a blogosfera chuta que será já nas primeiras semanas de janeiro de 2009). O que dá para esperar é que a banda faça uma apresentação no Brasil capaz roubar o brilho de algumas estrelas do Festival Planeta Terra, daquelas que pouca gente vai ver e muita gente vai queria ter visto.

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Bloody Pop: Eu li que vocês já gravaram material suficente para um novo álbum. Essas músicas já estão finalizadas? Quando vocês pretendem lançar essas faixas?
Avey Tare: Nós estamos bem perto de terminar o disco, na verdade. E estamos bastante entusiasmados com o resultado. Não está tudo pronto, então não sei ainda quando vamos lançá-lo.

BP: Eu achei um ótimo bootleg de vocês tocando em Lisboa maio passado com várias canções novas. Quais delas vão estar no seu próximo disco?
Avey: Provavelmente, todas elas. Se não entrar alguma, devemos lançar um EP.

BP: Algumas canções do “Strawberry Jam” como “For Reverend Green” e “Fireworks” tem estrutura um pouco mais ‘convencional’ do que seus trabalhos anteriores. Essas novas canções estão seguindo essa direção? Como elas estão soando?
Avey: Para nós, elas são mais eletrônicas, porque o processo de composição delas foi mais orientado por samplers, do que, digamos, guitarras. Eu acho também que elas são muito mais centradas no baixo e na percussão do que as músicas do “Feels” ou do “Strawberry Jam”. A imprensão é que há muito mais coisa acontecendo nelas do que nas faixas do nosso último álbum. Eu ainda diria que elas são mais suaves do que as do “Strawberry Jam”. No entanto, eu acho que as estruturas não são tão convencionais assim.

BP: Vocês se consideram uma banda influente? Alguns artistas como El Guincho, The Dodos, a críptica one-man-band brasileira Babe, Terror e até o último single do Sigur Rós parecem ter sido influênciada pela sua música. O que vocês acham disso?
Avey: Se for o caso, então nós nos sentimos muito honrados. Vários amigos nos falam desses artistas e como eles soam parecidos com a nossa banda, ou então nós acabamos lendo sobre isso, o que é curioso. Mas realmente eu não acho que nos caiba atestar se somos ou não tão influentes assim. Soaria bem arrogante de nossa parte.

BP: Alguns meses atrás, um vídeo muito engraçado sobre um possível novo álbum do Animal Collective foi postado no YouTube. O que vocês acharam da brincadeira?
Avey: O vídeo é hilário, mas realmente não mostra como eu e o Noah [Lennox,  o Panda Bear] somos realmente.

BP: O que você espera do show no Brasil?
Avey: Espero me divertir bastante. Eu mal posso esperar pela nossa turnê pelo Brasil e pela América do Sul. Eu sempre adorei ler sobre a cultura daí e a música foi especialmente inspiradora para mim.

BP: Sobre a música brasileira, quais são seus artistas favoritos? Eles influenciaram vocês de alguma forma.
Avey: Eu gosto bastante como a música brasileira consegue ser bastante centrada no ritmo, mas também muito melódica e, muitas vezes, simples. Eu adoro os discos psicodélicos da Gal Costa, gosto de Joyce, Nelson Ângelo, Naná Vasconcelos, Caetano Veloso e muitos outros que eu estou esquendo. Sério, gosto de vários discos brasileiros.

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A sessão de entrevistas do Bloody Pop segue bombando nas próximas semanas com os donos dos grandes discos brasileiro de 2008: o músico carioca Momo e a trupe paulista, recém-confirmada como atração do Tim Festival, Cérebro Eletrônico. Até.

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5 respostas para Entrevista: Animal Collective

  1. Ah! O Josh tava em um show recente lá em Toronto (eu acho). Eu quero que ele venha, pra eu poder groupiar direito!
    E o Avey é um amor! Adorei a entrevista, Livio, você me orgulha, haha. beijo

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