Entrevista: Cérebro Eletrônico

Nenhum outro título descreveria melhor o segundo disco do Cérebro Eletrônico e a própria banda do que “Pareço Moderno”, alcunha do álbum que é um dos melhores (se não o melhor) álbum brasileiro de 2008. Conugando velhos verbos em novos tempos e vozes, o Cérebro transforma uma série referências – a psicodelia sessentista, a tropicália, o rock hiponga dos setenta, o brega – em uma música que entende que o passado é só uma ponte para o que há de vir. A palavra aqui é conexão.

A banda, formada no começo da década em São Paulo por Tatá Aeroplano (voz e brinquedos), Fernando Maranho (guitarra e voz), Izadoro Cobra (baixo e voz), Dudu Tsuda (teclados e voz) e Gustavo Souza (bateria), lançou seu primeiro disco “Onda Híbrida Ressonante” em 2003, trabalho que acabou ressoando até na Europa, onde o Cérebro tocou em 2006. Seja por afinidade ou necessidade, esse mesmo grupo (junto ou separado) participa de vários outros projeto como o Jumbo Elektro, Luz de Caroline, Trash Pour Quatro, Dona Zica, Zeroum, Frame Circus, Junio Barreto e outros.

“Pareço Moderno” foi lançado pela Phonobase no primeiro semesntre em diversos formatos: download, CD normal, digipack e até uma versão luxuosa (e já esgotada) que vinha dentro de uma lata de filme lotada com material da banda.

Além de passagens elogiadas por outros festivais do país como Calango e Bananada, o Cérebro Eletrônico é uma das poucas bandas brasileiras a integrar a escalação do Tim Festival 2008, que começou hoje (21) em São Paulo com o show de Sonny Rollins. O grupo foi escalado para abrir o braço paulista da noite Ponte Brooklyn no dia 25, ao lado de The National e MGMT.

Em entrevista ao Bloody Pop, o vocalista e principal compositor do grupo Tatá Aeroplano conta mais sobre as gravações do “Pareço Moderno”, comenta uma certa “renascença psicodélica brasileira” e já aguça a expectativa para o próximo disco do Cérebro, intitulado “Deus e o Diabo no Liquidificador”.

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BP: Foram 4 anos do primeiro disco para o “Pareço Moderno”. Deu para perceber a sonoridade da banda mudou bastante nesse tempo. O que levou a essas mudanças?
Tatá Aeroplano: O primeiro disco foi gravado e produzido por mim e pelo Fernando Maranho e a banda surgiu no fim desse processo, foi um disco mais experimental e caseiro. Já o “Pareço Moderno” é um disco totalmente de banda, gravamos no Estúdio Terreiro Du Passo com o Alfredo Bello, mudamos bastante nesse período de quatro anos com a banda entrosada cada vez mais e a gente muito livre pra gravar.

BP: Como surgiu a faixa-título? Quando vocês decidiram que seria o nome o disco? Por que?
Tatá: A faixa título surgiu em setembro de 2005, eu compus a música e gravei em fita cassete. Só em Abril de 2006 que reescutei a fita com a música, tinha esquecido totalmente que tinha composto a canção. Ai liguei pro Isidoro Cobra e pedi pra ele colar em casa, ele escutou “Pareço Moderno” e disse, vamos tocar ela hoje!? Nós tinhamos um show. Ai na passagem de som fizemos ela e os garçons começaram a cantar. Enfim, pra resumir, todos da banda se identificaram com música, e as pessoas também,rola uma identificação forte, e por isso o nome do álbum.

BP: De onde vem a fixação com o Sérgio Sampaio? Você considera ele uma influência?
Tatá: Ele é a grande influência do disco “Pareço Moderno”, tanto “Pareço Moderno” quanto “Sérgio Sampaio, Volta”, foram compostas quando eu estava totalmente viciado nele, e continuo viciado até agora. A fixação por Sérgio Sampaio aconteceu em 2005 quando escutei o primeiro disco dele “Eu quero botar meu bloco na rua”.

BP: O disco tem um clima bem alegre, mas termina com a faixa mais triste das 12. Como surgiu “Sérgio Sampaio, Volta”?
Tatá: É a ‘Música Triste’, apelido que minha ex deu a canção que eu fiz logo depois que acabou uma história de amor que me marcou muito. Eu compus essa canção com o dia raiando, em 2005 também, e só fui reescutar ela na fita cassete no fim de 2006, e é incrível, porque a letra saiu de primeira… e “Sérgio Sampaio, Volta” gravada na fita cassete é mais triste ainda.

BP: Por que vocês decidiram regravar “Dê”?
Tatá: Foi uma idéia do Alfredo Bello que disse que seria bem legal a gente fazer a versão da banda, já que a primeira gravação foi feita antes da banda existir de fato. E particularmente o Alfredão mandou bem, porque a música ficou linda.

BP: Vocês são constantemente associados ao tropicalismo. O que mais influencia vocês no movimento?
Tatá: O movimento nos influenciou em todos os aspectos, escutamos muito os discos produzidos pelo Maestro Rogério Duprat e é maluco porque a tropicália hoje soa muito atual hoje, é impressionante.

BP: A Tropicália tinha muito dessa coisa de cena, de várias artistas tocarem juntos, com menos preocupação do seria “projeto paralelo”. Além da cena paulista e carioca, isso está bastante em voga em outras cenas pelo mundo, como Montreal, Los Angeles, NY. O que você acha desse tipo de processo criativo mais coletivo?
Tatá: Eu sempre penso que Tropicalista hoje em dia é um estado de espírito, e acho que a tropicália é o atual estado de espírito de uma geração inteira que está fazendo música no brasil e no mundo. Eu por exemplo participo de bandas bem diferentes com propostas diferentes e gosto muito de criar e compor com outros artistas. É um vicio moderno.

BP: Tem aparecido alguns artistas no Brasil (Supercordas/Bonifrate, Momo, Telepatas, Babe Terror) que, como o Cérebro, têm uma sonoridade bastante psicodélica. Você acha que dá pra falar numa ‘renascensa psicodélica brasileira’? Como você vê o Cérebro no meio disso?
Tatá: A renascença psicodélica brasileira tem um rei chamado Jupiter Maçã, que é um artista genial que certamente influenciou boa parte dessa galera. Eu pirei quando escutei o disco do Supercordas, não conhecia eles pessoalmente e ficava imaginando como eles eram, ai pensei, eles devem ter se aventurado por lugares místicos e loucos e quando conheci eles, era aquilo mesmo, eu não me enganei, e eu sou fã deles pacas, porque desde “A Sétima Efervescência” eu não tinha escutado um disco nesse naipe, fiquei vidrado. E ai é claro que conversando com os cordas chegamos no mestre Apple. Todo mundo que curte psicodelismo escutou o Sétima, não tem jeito!

BP: Por que vocês decidiram lançar o disco em tantos formatos diferentes? Como está sendo o retorno disso?
Tatá: Foi uma idéia do Juliano Polimeno que fundou a gravadora Phonobase, nós apoiamos totalmente a idéia. E está sendo muito gratificante, porque o retorno foi e está sendo incrível, o Box especial com tiragem de 100 cópias esgotou recentemente, vendemos muitos cartões de download e discos também, tanto do formato Jewell Case, como do digipack.

BP: Vocês fizeram uma participação no Altas Horas que foi bem comentada. Qual você acha que é o papel das mídias massivas num tempo que a internet virou o principal meio de divulgação das bandas? Você acha que essa aproximação, principalmente da TV, com a música independente é uma coisa natural a medida que esse mercado cresce?

Tatá: É totalmente natural e muito bom pras bandas independentes, e o mais impressionante é o feedback, ou seja a resposta imediata a uma aparição em um programa como o Altas Horas. Minutos depois da gente apresentar a primeira música no programa, nosso myspace disparou, e logo depois que o programa terminou foi uma loucura. Até hoje recebemos e-mails de fãs que conheceram a gente pelo Altas Horas.

BP: Como está a expectativa para o show no Tim Festival? Como vocês se sentem sendo a única banda de rock brasileira a ser escalada para o festival?
Tatá: É uma felicidade imensa e uma responsabidade imensa. Estamos nos preparando muito pra esse show e também curtindo muito, porque vamos nos internar num sítio uma semana antes do TIM, então, imagine uma bando de urbanos no meio do mato!?

BP: Li em algum lugar que vocês já estão pensando no disco novo. “Deus e o Diabo no Liquidificador”, é isso? Já tem alguma coisa composta ou gravada? Como ele vai soar? Já tem alguma previsão de lançamento ou vai demorar 4 anos como o “Pareço Moderno”?
Tatá: Então, “Deus e o Diabo no Liquidificador” é o nome da canção que dará título ao novo disco. Nossa ida prosítio uma semana antes do Tim servirá pra gente começar a arranjar as novas canções, eu tenho um punhado delas já e vamos criar outras juntos. “Deus e o diabo …” é uma continuação da vibe do “Pareço”. Vamos produzir com o Alfredo Bello, é como uma continuação da viagem!

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Próximos shows do Cérebro Eletrônico:

25 out 2008 21:00
TIM Festival São Paulo, São Paulo
13 nov 2008 20:00
Studio SP São Paulo, São Paulo
21 nov 2008 19:00
SESC Araraquara Araraquara, São Paulo
6 dez 2008 23:00
Busca Vida Brag. Paulista
13 dez 2008 20:00
Festival Garimpo – Belo Horizonte Belo Horizonte, Minas Gerais
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2 respostas para Entrevista: Cérebro Eletrônico

  1. Pingback: Cérebro Eletrônico lança EP virtual « BLOODY POP

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