Entrevista: Móveis Coloniais de Acaju, P_rte I

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Na noite da última segunda-feira, 30, eu fui me encontrar com os integrantes do Móveis Coloniais de Acaju, em um estúdio no plano piloto de Brasília.  Eles estavam ensaiando para o Móveis Convida, décima edição  do já tradicional festival que o grupo realiza na capital,  show de lançamento do seu segundo disco, “C_MPL_TE”, que será realizado hoje, sexta-feira, no Centro Comunitário da Universidade de Brasília, gratuitamente. Depois de uma sessão de ensaio intensa, na qual os integrantes choraram de emoção e discutiram fortemente, eu segui com três dos integrantes – Esdras Nogueira (saxofonista), Beto Mejía (flautista) e Fábio Pedroza (baixista) – para uma lanchonete, pois a fome batia forte. Foi lá, entre sanduíches, que os três falaram para o Bloody Pop sobre o processo de composição, gravação e divulgação do “C_MPL_TE”, sobre os encontros e desencontros com o produtor Carlos Eduardo Miranda e sobre as diferenças do mercado musical no Brasil e na Europa, por onde eles recentemente fizeram uma turnê.

Relaxados, Esdras, Beto e Fábio quase não precisaram de perguntas para contar como foi a busca do Móveis por um disco que mostrasse às claras a identidade do grupo, formado por nove (ou dez) integrantes, no qual todos tiveram efetiva participação na criação e direcionamento musicais da banda. Diante de vários obstáculos, posteriormente descobertos verdadeiras oportunidades para criarem algo, digamos, mais completo, o grupo decidiu por realizar um disco de estúdio – previamente, “C_MPL_TE” seria um disco gravado ao vivo – cujo processo de divulgação levou a um enorme material em vídeo.

A entrevista do Bloody  Pop com o Móveis Coloniais de Acaju foi dividida em três partes. A primeira parte você lê logo abaixo, a segunda parte sai amanhã, sábado, e, para completar a entrevista, publicaremos a terceira parte no domingo, junto com um PDF com a entrevista completa para quem quiser baixá-la. Sem mais delongas, fiquem com a ótima conversa que tivemos com o Móveis Coloniais de Acaju.

por Matheus Vinhal

 

Bloody Pop: Eu me lembro da primeira vez que vi o nome do disco e achei muito interessante, diferente. E como com qualquer coisa diferente, a gente acaba tentando entender o que vocês estão querendo dizer com isso.

Beto Mejía: E o que você pensou na primeira vez que você viu a grafia do nome [“C_MPL_TE”]?

 

 

Bloody Pop: Ah, a primeira coisa que você vê é que tem algo a completar. Como se os Móveis tivessem convidando o público deles a completar o trabalho.

Esdras Nogueira: Bacana, porque eu não sei se as pessoas vão sacar quando o disco sair e verem o encarte.

Beto: A primeira coisa que escreveram sobre o nome, foi até aquela socialite: “Ah, o Móveis vai lançar o segundo disco com o nome meio impronunciável”. Ela não sacou a vibe (risos). Mas é isso que você falou, mesmo. É justamente isso.

Esdras: Acabou a entrevista, agora vamos tomar uma cerveja! (risos) É, na realidade, essa parada partiu da nossa relação com o público e com a nossa relação com a gente, que tem que ser a mesma. Existe uma relação de troca, tanto com o público quanto com os dez [integrantes]. Hoje [no ensaio] a gente teve essa relação de amor e ódio, várias vezes. Na hora em que tava ensaiando, neguinho chorando, e, quando acabou o ensaio, neguinho quebrando o pau. É uma relação muito louca, intensa. Mas, assim, a relação é tudo, não é só um pedaço, tem que aceitar tanto a parte boa quanto a parte ruim e tem que saber lidar com isso. E a gente tinha sentido isso muito intenso, cara. E nesse disco, conceitualmente, antes da gente saber o que iria gravar, a gente já sabia que esse era o conceito.

Beto: Acho que a partir dessa nossa relação, a gente percebe o quanto a banda precisa do público, também. O processo de composição mudou bastante do primeiro disco [“Idem”, lançado em 2005] para o segundo. Cada um agora completava o outro, trazia novas ideias. O processo era um pouco mais diversificado, mais aberto para todo mundo dar palpite e até ter mais intimidade. Dentro do processo a gente via que quando todo mundo colocava um pouquinho, esse pouquinho ia fluindo de uma maneira que, no outro dia, a pessoa ia colocando mais um pouco. E na hora de fazer o disco a gente fez uma análise do que aconteceu com o Móveis até agora, o que levava o Móveis a tocar em festivais, o que acompanhava o Móveis desde cedo e que tinha uma recepção boa. E a gente percebeu que era o público, porque a gente se entrega. A gente tem essa troca, como o Esdras falou. E nada mais justo e gratificante do que chegar lá e falar: “Olha, vamos compartilhar isso com vocês, completa a gente também. Vem participar do processo, também”.

 

Esdras: A gente tem essa identidade em qualquer lugar, sabe? Basicamente do mesmo modo que Macaco Bong fala, “Artista Igual Pedreiro“. Não é ser pop star, não tem porque ser, sabe? É você ganhar seu dinheirinho, trabalhar, ser feliz e ter essa relação de troca. É isso que faz a música fluir. Não é ter uma luz foda, não é ter um som foda, não é ter uma música foda, é ter essa identidade que vai levar as outras coisas a outras etapas. É uma relação, mesmo.

 

Bloody Pop: Vocês podem falar mais do processo de composição? Porque parece que foi bem diferente [do processo do Idem]. Até porque é o segundo disco, as músicas geralmente são feitas pensando em compor para o disco…

 

Fábio Pedroza: Mais do que isso, na verdade. Porque o disco começou tem mais de dois anos, desde 2005 ou 2006. E a gente tinha várias músicas que ainda estavam numa transição. Mas acho que mais do que isso, foi uma opção da banda, mesmo. Uma opção de mudança de trabalho. Foi levar às últimas consequências o que a gente meio que já fazia antes, mas que ainda não tinha coragem de assumir, que é um trabalho em grupo. No “Idem”, as músicas vinham completamente prontas de alguém e a gente fazia os arranjos, ou a gente fazia [a música] juntos e continuava chamando de arranjo. A gente foi incorporando tanto essa relação de “O que vem é modificado pelo grupo” que foi algo que foi acontecendo. Foi indo aos poucos…

 

Bloody Pop: E isso saía mais dos ensaios?

Esdras: De tudo, cara. O título do disco, nada mais é do que isso: “C_MPL_TE” poderia ser o título do nosso Big Brother. Hoje nós estávamos juntos desde as seis horas da manhã, trabalhando. E com isso o disco, musicalmente, se tornou possível. Porque a gente já tinha isso na nossa relação. Foi uma forma musicada de passar isso, não sei se vai ficar claro para a galera, mas para a gente…

Fábio: E a gente comprou isso, mesmo. Por exemplo, as letras sempre foram uma coisa muito pessoal, então era uma coisa que a gente nem tocava. Mas aí a gente chegou e viu: “Pô, não faz sentido”.

Esdras: É lógico que alguém, por exemplo, que entrega uma letra… O cara, sei lá, acabou o namoro e fez uma letra e o outro cara chega e fala: “Muda isso, e isso, e isso”, ou fala: “Cara, isso tá muito bom”. Isso foi legal. Claro, tem discussão…

Beto: Estamos aprendendo. É uma fase instrumental, é um resultado muito diferente do “Idem”, mesmo. Mas é uma fase instrumental…

Esdras: Eu particularmente gostei do resultado e o processo pode ser melhorado. O resultado eu acho que é muito bom.

 

 

Amanhã, sábado, a segunda (e maior) parte da entrevista com o Móveis Coloniais de Acaju. Para quem é de Brasília, hoje tem Móveis Convida X, show grátis do lançamento do disco “C_MPL_TE”, com shows de Galinha Preta, Black Drawing Chalks, Macaco Bong e, claro, Móveis Coloniais de Acaju.

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