Entrevista: Móveis Coloniais de Acaju, P_rte III

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Nesta última parte da entrevista do Bloody Pop com os Móveis Coloniais de Acaju, realizada na última segunda-feira, 30 de março, Beto Mejía, Esdras Nogueira e Fábio Pedroza falam sobre como a foi a turnê européia realizada pelo grupo no ano passado. Os três também discutem o mercado musical do país e contam como e por que o grupo criou o festival Móveis Convida, em cuja última edição, sexta-feira passada, 03 de abril, o grupo lançou seu novo disco, “C_MPL_TE”.

O Bloody Pop juntou todas as partes da entrevista em um PDF. Se você quiser baixá-lo é só clicar aqui:  Bloody Pop entrevista: Móveis Coloniais de Acaju.

por Matheus Vinhal

Bloody Pop: E o Álbum Virtual, quando sai?

Fábio Pedroza: Final de abril. Eu chutaria entre o dia 25 e o dia 30.


Bloody Pop: E como foi a turnê na Europa?

Fábio: Cara, eu acho que foi uma experiência muito importante para o grupo.

Esdras Nogueira
: Para o disco, é.

Fábio: A gente incorporou muitas sonoridades de coisas que a gente vivenciou lá, e das trocas que a gente teve, porque foi a primeira vez que a gente ficou tanto tempo junto, sem ter para onde fugir.

Esdras: Juntos sem ter ninguém lá para conversar.

Fábio: Foram vinte dias juntos, com os horários todos iguais.


Bloody Pop: E onde vocês tocaram?

Fábio: A gente tocou na Bélgica, Suiça, Alemanha e República Tcheca.

Esdras: Três [shows] na Alemanha e um em cada um dos outros [países]. E a gente pegou um esquema megapopular, que é tocar no mesmo festival do Metallica, Sigur Rós, Flaming Lips, essa galera toda, The Killers… E tocar em festival na Alemanha, velho, da terceira divisão de futebol contra o preconceito no futebol.

Beto Mejía: Serviu para amadurecer o processo todo, de encarar o mercado de música, além de outras coisas.

Fábio: Tipo, aqui só banda grande que pode ter coisa. Lá não, a menorzinha tem um show escroto. O mercado de lá é estruturado para um circuito de shows que no Brasil tá começando agora. O Macaco Bong, pelo menos, tá aí, na estrada, vendendo disco. Pata de Elefante, a gente.

Esdras: [Bandas] Que fazem show, não são bandas megapopulares, mas estão aí.

Fábio: Não é porque é pequeno que você tem que ser menos profissional, ter menos qualidade.

Esdras: E a parte musical também. Aqui a gente fez um circuito de festivais muito grande e a gente tinha sempre a convivência com as mesmas bandas, praticamente. Sei lá, shows do Los Hermanos: a gente tocou com os caras umas cinco vezes, viu o show dos caras umas dez vezes… É muito bom, mas chega um momento que você já sabe o set dessa galera de cor e vice-versa. Vanguart, já tocamos juntos várias vezes, Nação [Zumbi], várias vezes, Paralamas [do Sucesso]… Pessoal que a gente gosta, que é influência, sabe, mas que a gente já viu várias vezes. Quando a gente se deparou com um lugar de outra língua, várias bandas que a gente nunca tinha visto…No show do Sigur Rós, a gente: “Caracas, velho!”. Show do Flamming Lips.. Show do Metallica, então, nem se fala…

Bloody Pop: E em Brasília vocês fazem o Móveis Convida..

Fábio: É, o Móveis Convida surge de várias maneiras. Ele tem a preocupação, primeiro, de ter um pró-ativismo cultural, porque ficar dependendo de produtor para ter show é uma merda. O que a gente pode fazer? A gente conhece as bandas, a galera do som, a galera das casas [de música], por que a gente não faz a gente mesmo? Segundo, rolou uma certa insatisfação de não ser apoiado por algumas praças aqui de Brasília (risos). Aí a gente percebeu, “Pô, sacanagem, a gente vai nos lugares, recebe um tratamento foda, por que a gente não pode dar esse tratamento para as outras bandas aqui em Brasília?” A gente busca muito disso também, de dar um tratamento igualitário: a banda que abre e a banda que fecha tem o mesmo som, tem o mesmo tratamento de backstage, passagem de som – coisa que a gente preza, de todo mundo passar o som. Ter uma qualidade na estrutura do lugar. Por exemplo, o show do Los Hermanos tinha a mesma estrutura de quando foi o show do Vanguart ou do Pato Fu ou com o Teatro Mágico. Todos tiveram a mesma estrutura. E a preços acessíveis, que é uma coisa que a gente sempre se preocupou. E agora que foi demais, porque agora para esse [Móveis Convida X, realizado na última sexta] foi de graça.

Bloody Pop: E como foi essa parceria que vocês conseguiram com a Brasiliatur?

Esdras: A gente falou: “Apóia a gente: banda de Brasília e tal”.

Fábio: Aí os caras falaram: “Só se for de graça” E a gente: “Beleza! É isso que tem que ser? A gente não ganha nada!”

Esdras: “Sem problema!”

Beto: Tem também a parte de fazer o projeto, deixar a coisa bonitinha… A parte administrativa, burocrática, para o cara chegar lá na mesa dele e ter um papel falando: “O projeto consiste nisso, é feito disso, as etapas são essas, o projeto financeiro é esse.” Então, tem essas outras etapas onde o Móveis trabalha. Todas, assim, dentro do Convida, desde a arte do panfleto, – que é o André [Gonzáles, vocalista] que faz – panfletar em escola, de ficar coordenando montagem de palco. Tudo, a gente faz tudo.

Fábio: Tem muitos parceiros, mas a gente está envolvido em tudo. E acho que o esquema da Brasiliatur foi legal porque eles resolveram apoiar um evento que é muito simples, porque os caras fazem aquelas coisas da Torre [de TV], da Árvore [de Natal de Brasília], e aquilo tem muita grana e muita estrutura. A gente é coisa pequena perto daquilo. Eles colocaram: “Olha, o projeto é interessante, mas infelizmente a gente não pode apoiar nada pago”. O que a gente prefere? Ter um evento gratuito de um lançamento de um disco e não ganhar nada, ou tentar ganhar dinheiro para pagar as contas da banda, só que com o perigo de não ter público e não ter espetáculo, essas coisas? Aí a gente: “Cara, o CD já vai sair de graça. A gente tá lançando todas as músicas antes no YouTube. O CD vai sair de graça, como que o show não vai ser de graça?”. Não faz sentido, cara! Casou perfeito. (risos) Tipo, C_MPL_TOU, né?

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