Disco: "Crack The Skye", Mastodon

cracktheskye

Crack The Skye não é apenas mais um álbum conceitual do Mastodon. Desta vez, aliás, é preferível deixar a historinha um pouco de lado – não que ela seja dispensável para a compreensão do conjunto – e focar no que merece atenção: a música.

Neste quarto disco de estúdio, o Mastodon aparece mais soturno e sofrido, abusando menos dos vocais guturais e dos espancamentos gratuitos de bateria típicos do thrash metal, e nem por isso soar menos pesado. Os timbres crus que marcam a sonoridade da banda continuam presentes em “Crack The Skye”, mas a grande sacada é que aqui eles são usados para formar um ambiente sonoro mais etéreo, o que acaba atendendo ao que é proposto neste álbum.

Em 50 minutos e sete faixas, a banda de Atlanta (EUA) traz riffs e arpejos de guitarras e violões para a linha de frente, ocupando o lugar que era da bateria nos trabalhos anteriores – não que ela esteja escondida, porque, caso contrário, não seria o Mastodon -, e experimenta com sucesso os sons de banjos, teclados e sintetizadores, além de efeitos nas harmonias vocais.

Aos que torceram o nariz quando leram acima “50 minutos e sete faixas”, o recado é: apertem play e parem de olhar para a duração das músicas. As mais longas, “The Czar”, com 10:54, e “The Last Baron”, que bate em 13:01, estão longe de serem cansativas e são muito bem encadeadas pelos diversos riffs e mudanças de andamento. Por outro lado, os três minutos e meio de “Divinations”, o single de “Crack The Skye”, provavelmente foram os mais bem utilizados por uma banda de heavy metal nos últimos tempos. Destaque para o refrão sensacional.

E é claro que não poderíamos esquecer da historin…digo, do conceito do disco. É uma salada que mistura Rasputin e a Rússia dos czares, experiências extracorporais e ideias de Stephen Hawking, entre outras viagens. Ainda há espaço para falar da morte prematura da irmã do baterista Brann Dailor, Skye, que cometeu suicídio aos 14 anos e que mereceu os versos mais tristes do disco, presentes em sua faixa-título: “Please tell Lucifer he can’t have this one / her spirits too strong / I can see the pain / it’s written all over your face”. Em “Leviathan” (2004), a brincadeira funcionou melhor com o “Moby-Dick” de Melville.

Mesmo com as ideias conceituais um pouco desorientadas, com “Crack The Skye” o Mastodon faz o que poucos grupos de metal conseguem hoje em dia: recicla as influências tradicionais do gênero e cria um som que aponta para frente, híbrido e original. E isso não é pouco.

[“Crack The Skye”, Mastodon. 7 faixas com produção de Brendan O’Brien. Lançado em março de 2009 pela Reprise Records/Warner Music.]

[rating: 4/5]

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3 respostas para Disco: "Crack The Skye", Mastodon

  1. Felipe disse:

    Ótimo disco.

  2. pierredz disse:

    No Brasil os discos desta banda não foram lançados – até onde sei – , embora a mesma esteja causando grande rebuliço nos EUA e Europa. Conheci Mastodon pela internet, e me impressionei com a técnica da banda, embora o vocal gritado me afaste deles. Sendo o novo disco cantado, acho que vou encarar o discão.

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