Entrevista: Solana

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Carpe Diem foi o primeiro nome da hoje Solana, banda que nasceu despretensiosamente nos idos de 90, quando Dante Ixo e Juliano Gauche se conheceram. Os dois faziam parte de um grupo literário e começaram a musicar poemas. Naturalmente surgiram composições próprias e a vontade de formar uma banda.

A Solana começou sua carreira de verdade em 2002, depois de ganhar o festival Rock Por Essas Bandas, organizado pela rádio Transamérica. Depois disso, eles chamaram atenção do selo BM Factory, que resolveu gravar o primeiro disco do grupo, “Quanto mais depressa, mais devagar….”, que contou com a produção de Sérgio Benevenuto.

Depois de sofrer baixas na formação da banda, a Solana se reestruturou e hoje é composta por Juliano Gauche (vocal, violão e guitarra), Murilo Abreu (baixo e voz), Rodolfo Simor (guitarra) e Bento (bateria). Foi este quarteto que produziu e gravou o segundo disco da banda, “Feliz, feliz”, que pode ser baixado gratuitamente no site oficial. Disco inclusive bem diferente do primeiro, que ganhou ares mais indies. Os vocais são leves e quando necessário, gritados por Juliano Gauche. “Feliz, Feliz” traz uma banda mais madura também nas composições.

Foi para defender as músicas deste último disco que a banda subiu ao palco do programa Domingão do Faustão ano passado, para participar do quadro “Garagem”. Quadro este, que toda a semana escolhe bandas independentes (de vários estilos) para mostrar seu trabalho. Com isso, a Solana conseguiu destaque na cena independente do Espírito Santo, agora basta conquistar espaço nos festivais pelo país. Coisa que a banda está começando a fazer através das “Noites Omelete Marginal”.

Foi sobre tudo isso e mais um pouco que conversamos via e-mail com o vocalista da banda, Juliano Gauche. O resultado dessa “prosa” vocês conferem aí embaixo.

Bloody Pop: O que mudou na banda depois da saída do Dante Ixo? Já que ele e você eram os principais compositores.

Juliano Gauche: Assim que o Dante saiu, saíram também o guitarrista Rafael Rocha, o produtor Sérgio Benevenuto (que foi quem produziu o “Quanto Mais Pressa, mais Devagar…”) e toda a estrutura do seu selo, o BM Factory. Ficamos só eu, o Murilo e o Bento. Entrou o guitarrista Rodolfo Simor e começamos a trabalhar as canções que eu havia composto até então. Não demoramos muito a montar o repertório do que seria o “Feliz, feliz”. O Murilo também começou a compor e o Bento foi meu parceiro em uma das músicas. Todo passou a ser mais democrático.

BP: O primeiro nome da banda foi “Carpe Diem”. Nome que remete à literatura, que de certa forma, foi o que uniu você ao Dante. Por que a escolha de mudar de nome? E de onde veio “Solana”?

Juliano Gauche: O nome “Carpe Diem” já estava registrado, o que nos impossibilitava de usá-lo. Estávamos em estúdio gravando o primeiro disco quando o Murilo achou a palavra “Solana” no livro “Noites Tropicais” do Nelson Mota. A palavra foi para a lista de possíveis nomes e no fim foi a escolhida.

BP: Já que estamos falando de começo. Vocês começaram em um festival (Rock Por Essas Bandas, em 2002). Hoje nós vemos um retorno aos festivais, que sempre apresentam bandas independentes. O que vocês acham dessa iniciativa? O Solana já tocou em outros festivais?

Juliano Gauche: Depois do Rock Por Essas Bandas não houve mais nenhum festival por aqui nesses moldes, até o ano passado. No ano passado aconteceu o primeiro festival “Omelete Marginal” e toda cena independente o agarrou com unhas e dentes. Todos aqui sabem da importância de se unir para se mostrar da melhor maneira possível. O resultado foi lindo e pode ser conferido no site www.iu.art.br. Recebemos os prêmios nas categorias: Melhor Banda, Melhor Disco e Melhor Site.

BP: O primeiro disco de vocês , “Quanto mais pressa, mais devagar…”, foi produzido pelo Fábio Henriques (que já trabalhou com Planet Hemp, O Rappa, Renato Russo…). Como surgiu essa parceria? E como foi trabalhar com ele? Vocês acham que ele interferiu positivamente no trabalho de vocês?

Juliano Gauche: O Fábio só mixou e masterizou o “Quanto Mais Pressa, mais Devagar…”. Conhecemos ele através do Sérgio Benevenuto, que foi quem produziu mesmo. É claro que ter alguém com a bagagem dele num primeiro disco só valoriza todo o processo. E ele foi demais! Tanto como pessoa, quanto profissional. Aprendemos muito sobre como gravar, além de ouvir histórias sobre pessoas que gostamos e que ele trabalhou junto, como o Renato Russo.

BP: Como é a cena independente em Vitória?

Juliano Gauche: A cena em Vitória está ótima. Hoje temos esse festival que citei, que também é uma revista e um portal . E está juntando informações e artistas. Temos também diversos editais que financiam circulações de shows e espetáculos em todo o estado do Espírito Santo. Muitos artistas estão se lançando através do Myspace e chegando rapidamente ao público. Mas tudo ainda no âmbito regional. Temos sérias dificuldades de conseguir a atenção de festivais, revistas, blogs e programas fora daqui.

BP: Indique uma banda independente do Espírito Santo.

Juliano Gauche: Uma unanimidade entre nós é a banda Zémaria.

BP: Aproveitando o ensejo, quais são as principais influências da banda?

Juliano Gauche: Zémaria, Roberto Carlos, Sérgio Sampaio, Pink Floyd, Beatles, Tom Jobim, Rodrigo Amarante, Syd Barret, Bob Dylan, Led Zepplin, Dante Ixo, Billie Holiday, Chet Barker, Elvis Presley, Trafic, Legião Urbana, Sodre Lerche, Caetano Veloso, Herbert Viana, Cazuza, Rubem Braga, Fernando Pessoa, Mutantes, Rimbaud, Baudelaire, The Doors, Nirvana, Elis Regina…

BP: O segundo disco, “Feliz, feliz”, foi lançado em 2008 e foi colocado para download gratuito no site oficial de vocês. Por que o download no site quando vocês podem trabalhar, por exemplo, com a Trama? Houve também uma mudança no lançamento. Vocês saíram de um selo e lançaram o CD de forma independente. Por quê?

Juliano Gauche: Quando o Dante saiu o selo que nos produzia já tinha fechado. O Sérgio Benevenuto não gostou da nossa nova idéia e preferiu não nos produzir mais. Como disse acima, temos sérias dificuldades em nos relacionar com o mercado nacional. O Rafael Ramos da Deck Disc, por exemplo, achou o “Feliz, feliz” um disco morno e não se envolveu. Coisas assim nos levaram a fazer tudo sozinhos.

BP: Além de conquistar o primeiro lugar no Rock Por Essas Bandas, ser uma das 5 finalistas do Revista Oi (2004), a Solana foi parar no palco do Domingão do Faustão (em 2008). O que isso representou para a vida da banda?

Juliano Gauche: O impacto foi maior dentro de nosso estado mesmo. Alguns acessos a mais pelo Brasil, mas nada de convites para shows, outros progamas, nem nada do gênero.

BP: Vocês não sofreram nenhuma discriminação por tocar no programa?  Essa atitude pode até agregar novos fãs, mas vocês não acham que pode desagradar aos antigos?

Juliano Gauche: Quando saiu a classificação ouvimos muitas piadinhas. Mas quando rolou o destaque no quadro, o nosso nome se popularizou muito por aqui. Muitas notas em jornais, pessoas nas ruas nos parabenizando…Enfim, um tipo de atenção que não tínhamos em nosso “mundinho cult”. Agora é grande o número de bandas daqui que enviaram seus vídeos também. Quem gostava da gente antes nos ajudou muito na época da votação, todos sabiam que isso era uma chance para esse diálogo complicado com o Brasil. E todos ficaram felizes com o resultado.

BP: Para os curiosos que querem ver a banda ao vivo, quando e onde serão os próximos shows?

Juliano Gauche: Além do intercâmbio com o Rio e São Paulo através das noites Omelete Marginal, criadas pelos mesmos organizadores do festival homônimo.Em agosto tocaremos num festival na França. E também estamos sendo cotados para uma festival em Fortaleza, também em agosto. Além de shows pequenos que a gente sempre faz em casas noturnas daqui. Para acompanhar nossa agenda é só ir á nossa página no Myspace.

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2 respostas para Entrevista: Solana

  1. Thaís Imbroisi disse:

    Adooro a banda! Bacana achar a entrevista por aqui!

  2. edmar marinho disse:

    É difícil inaginar que num país tão grande como o Brasil, falte espaço pra bandas do nivel da Solana.E é difícil entender como o povo brasileiro é tão pobre culturalmente, ao invés de valorizar as coisas boas que se produzem por aqui, preferem dar audiência colocando em primeiro lugar nas rádios de todo país bandas como Calipso, parangole com rit rebolation, funks como tô ficando atoladinhae por aí vai.O povo brasileiro tem muito que aprender se trantando de cultura.
    Bandas de qualidade como Solana mereciam melhor destaque no senário nacional!!!
    Vocês tem que ouvir a música ” As perfeições do desastre” uma das melhores do disco “feliz feliz” da banda solana. Muito mais que um fã umouvinte de bom gosto, acessa aí http://www.felezfeliz.com.br e confirá essa super banda!!!! Grande abraço!!!!

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