Disco: "De Love", De Leve

de leve de love

Sim, “De Love“, o terceiro disco do De Leve, é um disco que fala de amor, pode acreditar. Irônico como sempre, sacana como nunca, o rapper de Niterói não deixa pedra sobre pedra ao falar de mulheres, relacionamentos e afins sem perder o bom humor.

Em 11 faixas de rimas absurdas e bases afiadas – entre elas as célebres “Quem Disse Que Caramujo Não Tem Coração” e “A Lenda“, ainda dos tempos de Quinto Andar -, De Leve vem mais descontraído e in love do que em seus álbuns solo anteriores, “O Estilo Foda-se” (2003)” e “Manifesto 1/2 171″ (2006)“.

De cara, vale a pena destacar “O Que Que Nego Quer” e “Minha Maluca“, duas das músicas mais divertidas, dançantes e sacanas da obra do MC. A primeira é uma pérola da gaiatice de De Leve. Até mesmo a base, bem mais para o funk carioca do que para o rap, tem sua malícia. “Na primeira noite, cê paga até o jantar / Dá um cheque voador e manda ela relaxar / Mas é por pouco tempo / Depois não paga nem biscoito Passatempo / Bastou ficar dentro”, diz a letra. Sem mais.

Já “Minha Maluca” é um reggaeton hilário cujo refrão tem a rima mais sensacional de “De Love”, na opinião deste humilde escriba: “Ela é minha maluca, ela é minha maluca/ Ela até confunde Hermeto com Sivuca”. De Leve ainda ataca de T-Pain usando o Autotune sem dó e revisita o “Funk da Secretária”, do disco “Piratão”, do Quinto Andar, na gravação de secretária eletrônica que abre a faixa.

Mas talvez o diferencial do rap de Ramon Moreno de Freitas – o nome de batismo de De Leve – não seja o uso de letras engraçadas, críticas e sarcásticas, mas sim o fato de aliar isso a bases poderosas e de qualidade. Prova disso é a faixa de abertura de “De Love”, “Sempre a Caminhar“, que faria bonito em qualquer pista de dança se DJs mais atentos se dispusessem a tocá-la.

De Leve assume a face De Love em “Quero-te Bem“. Hip-hop mid-tempo com um refrão que gruda pela repetição de palavras, no estilo de “Quem Disse Que Caramujo Não Tem Coração”. Amor também é o tema de “Pra Ser Filiz“, quando o rapper se junta a Totonho – aquele mesmo dos Cabra – quando os dois reclamam daquela mulher que quis de tudo, mas não quis nenhum dos dois.

Além de tudo o que já foi falado acima, “De Love” também é muito bom de ouvir porque tem uma faceta pop que lhe é inerente, sem prejuízo para as rimas de De Leve. Isso fica claro em músicas como “O Que Que Você Conta?“, que fala do universal momento no qual alguém pede as contas de um relacionamento, e em “Dinhêro“, um rap clássico que faz pensar como Gabriel, o Pensador, que já fez bastante coisa boa no mesmo estilo, poderia se reinventar.

E ainda há espaço pra dar uma zoada na vida, nar gatinha e em si mesmo em “Quer Dançar?” e  em “Elas São Sinistras” . Na primeira, rola também um esculacho hilariante no jabá que sustenta uma ou outra rádio por aí…

A metralhadora giratória de De Love desperdiça cada vez menos cartuchos, é mais versátil e acerta na mosca em praticamente todas as músicas. Mais do que um disco sobre amor ou um álbum apenas divertido, “De Love” é música da boa.

[“De Love”, De Leve. Lançado em abril de 2009 encartado na revista 100% Skate]
[rating: 4/5]

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2 respostas para Disco: "De Love", De Leve

  1. Sousa disse:

    Gostei do álbum, realmente as bases são poderosas. E o sarcasmo de De Leve , aliado a qualidade sonora faz dele um dos principais nomes do hip-hop tupiniquim.
    Salve,
    Sousa – Dq de Caxias – RJ

  2. de leve disse:

    valeu mesmo!

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