Disco: "Noble Beast", Andrew Bird

(AP Photo/Fat Possum Records)

É perfeitamente possível apenas ouvir “Noble Beast”, o quinto álbum da carreira solo de Andrew Bird, e gostar do disco. É bom de escutar, é mais suave e sutil do que o anterior, o ótimo “Armchair Apocrypha” (2007). Mas a audição fica mais interessante se houver atenção a algumas coisas.

Bird passa boa parte de seu tempo em uma fazenda no oeste do estado americano do Illinois. Começou a aprender música aos 4 anos de idade pelo método Suzuki, uma orientação completamente subjetiva e intuitiva. Mais tarde, se formou em música. E, a julgar pelas letras de “Noble Beast”, o cantor e multi-instrumentista nutre um interesse especial por termos complicados relacionados a botânica, insetos, micro-organismos e afins.

Tudo isso é para tentar entender como “Noble Beast” reúne as facetas de Bird da forma mais natural possível. Assim como a música é natural para ele, como é natural o que o cerca em sua fazenda, como é natural que use um vocabulário enciclopédico para escrever letras de melodias fáceis de cantar e agradáveis de ouvir.

Como nos trabalhos anteriores, aqui a musicalidade brota de Bird por meio de sua voz, seus assobios e dos instrumentos que toca, notavelmente o violino. Às vezes, o músico parece preferir pôr a compreensão de um ou dois versos em risco para jogar com as palavras, como em “Tenuousness”  – “from proto-Sanskrit Minoans to Porto-centric Lisboans” (WTF). Fica difícil reclamar, já que o resultado sonoro final é quase sempre impecável.

Se por um lado a riqueza de sons nas 14 faixas de “Noble Beast” é intensa, as mudanças de arranjo entre uma música e outra, ou mesmo dentro de uma canção, são sutis. O sentimento é de ter nos ouvidos uma obra coesa e diversificada que, mesmo quando (raramente) erra, mostra que o risco do erro foi válido. Tudo faz sentido, ou ao menos parece fazer.

Como “Noble Beast” foi lançado em janeiro deste ano, é bem provável que você já tenha ouvido algo dele. Se não é o caso, corra para o MySpace do Andrew Bird, lá dá pra escutar cinco das melhores músicas do álbum. São elas a faixa de abertura, “Oh No“; uma versão editada para rádio de “Fitz and the Dizzyspells“; a Radiohead-styleNot a Robot, But a Ghost“; a já citada “Tenuousness“; e a fantástica “Anonanimal“, que aparece no vídeo abaixo em um arranjo um pouco diferente do gravado, mas igualmente belo.

[“Noble Beast”, Andrew Bird. 14 faixas com produção do próprio artista. Lançado pela Fat Possum Records em janeiro de 2009.]
[rating:4/5]

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