Disco: “Backspacer”, Pearl Jam

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O Pearl Jam é, hoje, uma megabanda. De nada adiantou pararem de dar entrevistas e fazer clipes nos anos 90, nem arrumar briga com uma gigante dos ingressos para deixá-los mais baratos. Desde 1991, com “Ten“, seu debut, a banda só fez crescer.

Mas, caso raro no meio musical quando se trata de grupos deste tamanho, não se deixaram pirar com o sucesso, não arrumaram brigas, não acabaram se destruindo e, de certo modo, continuaram os mesmos caras do começo de carreira.

Com a sonoridade foi o mesmo. Alternando discos mais ou menos inspirados (a verdade é que nunca mais fizeram um tão bom quanto “Ten“), o som do Pearl Jam não muda muito, não foge muito à regra de guitarras sujas de um lado e um pé num rock mais comercial do outro. A banda não passou a se maquiar à moda emo como o Green Day nem flertaram com a eletrônica, como o U2 chegou a fazer.

Backspacer” é seu mais novo disco, com lançamento nos Estados Unidos dia 20 de setembro. “Gonna See My Friend“, que abre o disco, é uma música forte. Bom riff de guitarra e vocal nas alturas, é bastante enérgica. Direta ao ponto, não chega a três minutos de duração. “Got Some” segue no mesmo ritmo, é empolgante e estimulante, marcada pela bateria. A seguinte, “The Fixer“, já ganhou videoclipe de Cameron Crowe, com quem a banda já trabalhou no filme “Singles”, que se passava em Seattle e representava a juventude à época grunge. Soa um tanto quanto pegajosa.

Em “Johnny Guitar”, uma das melhores do disco, Eddie Vedder sonha com a mulher do tal Johnny; urgente, é outra na linha rock cru, estilo Neil Young. A partir daí, a banda dá uma pausa e entra com uma balada, dentre as tantas que ajudaram a fazer o sucesso do grupo, “Just Breathe“. Com uma letra que beira à breguice (“Did I say that I need you? / Did I say that I want you?”), é um dos momentos descartáveis do álbum.

Amongst The Waves” tem um refrão que poderia estar em uma letra gospel (I can feel like/Have a soul that has been saved /I can see the light/Coming through the clouds in rays), mas não deixa de grudar no ouvido.

Unthought Known” é cantada de forma desesperada, o vocal sempre acima dos instrumentos, uma balada rasgada. “Nothing left, nothing left/Nothing there, nothing here…”, lamenta Vedder.

Supersonic” deixa a lamentação de lado e volta ao clima veloz do começo do disco. Contagiante, é um dos destaques de “Backspacer”. Com a marcação cadenciada da bateria, Vedder quer tudo alto é rápido: “I need to hear it just to feel it loud, yeah”. Mas, ironicamente, é o contrário o que ele entrega ao seguir. “Speed of Sound” (não confundir com Coldplay) é outra balada. Mais uma vez, ao contrário de comover, se aproxima do sentimentalismo barato.

Force of Nature” fica no meio termo entre as duas pegadas do disco, nem balada nem muito rápida. Mais classicona, em direito a solo de guitarra no fim e tudo. Falando em fim, o disco termina com “The End“. Outra balada. Mas, desta vez, a banda acerta a mão. “The End”, quase que só voz e violão, conta a história de uma despedida.

No final das contas, em “Backspacer” o Pearl Jam pratica o que poderíamos chamar de um rock maduro. Reflexo de sua carreira, com pontos altos e baixos. Mas sem firulas, sem surpresas. A intenção não é reinventar a roda, salvar o rock, misturar com hip hop, eletrônica, ou seja lá o que for. Música para tocar em rádios (não que isso seja necessariamente ruim). Algo comercial, mas não “comercialóide”.

[“Backspacer”, Pearl Jam. 11 faixas, produção de Brendan O’Brien. Lançado em setembro de 2009 de forma independente].

[rating: 3,5/5]

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3 respostas para Disco: “Backspacer”, Pearl Jam

  1. thabs disse:

    Nossa, sabe que eu achei que não viria mais nada do Pearl Jam depois do último álbum deles! Aco que com o Backspacer eles resgataram o espírito mais antigo da banda. Pode soar um tanto forçado, mas tirou a banda daquela maré deprê que eles vinham vivendo e trazendo aos palcos. Por essa, principalmente, eu curti! =)

  2. Almir de Araujo disse:

    Classico !!!
    Discordo em relacao as baladas, sao especificas em sua tonalidade e a voz de Vedder em refroes que soariam bucolicos em outra voz, com ele soa realista e firme.
    Cada musica, ele brinca e reinventa sua voz e a banda em sinergia como a de Ten, surge mais comercial, porem forte e com a pegada marcante do inicio da carreira.
    A unica verdadeira banda d erock da atualidade que ja esta ha 20 anos sem adotar nem um modismo.
    Parabens Vedder & Cia !!!

  3. verdum disse:

    Surpreendente esse novo album, com uma boa miscelanea ao contrario do outros albuns.

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