A cena mashuper brasileira

Cultura participativa é um termo cada vez mais presente em debates  de comunicação. Hoje tudo se recria, se recicla. O público é o artista e vice-versa.  Com isso aparece um movimento que pode ser um dos grandes símbolos desse novo processo cultural: o Mashup. A arte da mistura, da colagem sonora está hoje presente nas mais diferentes cenas e ninguém sabe mais onde, quando e nem pariu os primeiros mashups. O que se pode afirmar é que a linguagem se estabeleceu nos EUA e na Europa  a partir de 2004, agora virou fenômeno no Brasil.

O pioneiro disso tudo no país foi o DJ Lúcio K que lá nos anos 80 já fazia suas misturas de ritmos brasileiros com sucessos estrangeiros.  A cena começa a crescer a partir dos anos 2000 quando aparecem  personalidades como João Brasil, Brutal Redneck e “a Mallu Magalhães dos mashups”, o capixaba André Paste, grande parte deles já passarão ou passarão pela Bootie, festa nascida em São Franscisco que se espalhou por diversas cidades do globo, incluindo o Rio de Janeiro, que tem recebido edições bombadas há algum tempo. Aproveitando mais uma edição nessa sexta-feira, na Fosfoxbox em Copacabana, o Bloody Pop faz um apanhados dos nossos nomes favoritos da cena brasileira e disseca para você.

Lúcio K

Pioneiro da cena brasileira, Lucio K é do estilo clássico de misturar acapella + instrumental,  formando um terceiro elemento, em misturas que vão de Erasmo Carlos a Nirvana. Hoje Lúcio continua fazendo seus mashups e é residente da Bootie Rio. Em um depoimento ao Bloody Pop, o “pai brasileiro dos mashups” fala um pouco de como começou a sua carreira e como ele vê a cena mashuper no Brasil hoje.

Bloody Pop: Como você começou a fazer mashups?

Lúcio K: Como DJ, sempre gostei de brincar com versões acapella, colocar por cima de músicas, misturar coisas etc. Já no final dos anos 80, tenho documentado, online, um mixtape onde coloco uma acapella inteira em cima de um instrumental. Em 96 gravei mesmo, pra tocar, meu primeiro mashup “oficial”, que tá no meu site (Prince vs Tom Jones). Mas em meados dos anos 0 quando 2many DJs estouraram e se criou o termo “bastard pop” (mais tarde conhecido como mashup), achei interessante, vi que era fácil pra mim fazer alguns e em 2006 sentei no meu estudio e fiz cerca de 20 mashups, mas como sempre que eu tocava o público não entendia o conceito e não curtia (dá pra tocar a versão original? hehe), os deixei na gaveta até o ano passado, quando surgiu uma nova onda da cena de mashups com força e criatividade, então comecei a divulgá-los e fazer novos.”

BP: Como você ve a cena de Mashup no brasil hoje?

Lúcio K: Acho que o público brasileiro está mais familiarizado, e se familiarizando. Principalmente a nova geração, que tem a cabeça mais aberta a novas propostas e formatos, afinal a cultura mundial como um todo está mais misturada e mais “remixada”, mais recombinada, com a troca de informações que a internet proporciona. Mas ainda acho extremamente tímido o número de pessoas que fazem mashups aqui, gostaria que tivesse bem mais.. É algo banal de fazer, em um software como o Ableton Live voce joga uma versão acapella (facilmente conseguida online gratuitamente) e um instrumental, o software tem ferramentas pra mapear o ritmo das faixas, daí uma vez mapeado você experimenta algumas combinações, o que ficar bom você renderiza (grava) e um abraço! Estou preparando formas de fazer vídeos tutoriais pra divulgar isso e incentivar mais pessoas a fazerem, pra desmitificar a coisa e mostrar que fazer mashup é que nem ser DJ, qualquer um com o mínimo de senso rítmico pode fazer. Mas daí o resultado ficar bom já são outros quinhentos.. (risos), depende realmente da criatividade e dedicação (que te faz aprender macetes pra soar melhor e se aprimorar).”

http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fsoundcloud.com%2Flucio_k%2Fcalle-13-vs-erasmo-carlos-samba-de-los-aburridos-dj-lk-mashup CALLE 13 vs ERASMO CARLOS – SAMBA DE LOS ABURRIDOS (DJ LK MASHUP) by DJ LK Mashups

João Brasil

Conhecido inicialmente pelo hit “Baranga”, João deu um tempo na carreira de cantor e  por pressão de amigos começou a fazer mashups.  Em 2008, lançou o fenomenal “Big Forbidden Dance” e logo foi apelidado de “Girl Talk tupiniquim”. Muitos chamam o que João faz de montagem  e não mashups, pelo fato dele misturar samples e muitos outros elementos para a formação de um terceiro. Mas no fundo, é mashup de qualquer jeito. João hoje mora em Londres, onde está fazendo seu mestrado (ele fala mais sobre isso na entrevista publicada em março de 2009 no Bloody Pop) e está na metade do seu projeto mais ambicioso até agora: o de lançar 365 mashups no ano de 2010. Ou seja, 1 por dia. Sua odisséia já foi compilada em alguns discos, como Let It Baile, mashups das músicas de “Let It Be” dos Beatles e funks cariocas.

http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fsoundcloud.com%2Flontramusic%2Flet-it-injecao-be-joao-brasil Let it injeção be (João Brasil) by lontramusic

Faroff

Um dos membros fundadores do Móveis Coloniais de Acaju, Faroff, tem uma vida pra lá de inusitada. Decidiu largar o Móveis depois que foi aceito no mestrado de economia de Harvard. Foi então morar em Boston onde começou e acabou virando o DJ residente da Bootie Boston. Agora que concluiu seu mestrado, Faroff esta de mudança para Los Angeles onde dará aula na UCLA e claro, será DJ residente da Bootie LA.

http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fsoundcloud.com%2Fbootierio%2Fmixtape-faroff MIXTAPE FAROFF by bootierio

Brutal Redneck

Direto do Paraná, o Brutal Redneck talvez seja o menos conhecido da cena brasileira, o melhor modo de descrevê-lo está em sua própria página do MySpace:

“Lucke Nosferatus, o capitão da nave-banda de eletro rock Trilöbit, apresenta algumas de suas misturas musicais, que fazem parte do brainstorm para criação das músicas da banda. Todo o processo de pesquisa, criação, edição, mixagem e masterização é de sua autoria. Seu alter ego na terra é Sassá, um caipira bruto que trabalha como chargista, cartunista, graffiteiro, fanzineiro, tatuador e jogador de videogame. Seu poder enquanto Nosferatus é a mistura inusitada de estilos e ritmos dentro de uma única canção. “

Saca só a mistura que ele fez de La Bamba com “Creep” do Radiohead:

http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fsoundcloud.com%2Fbrutalredneck%2Fcreep-bamba Creep Bamba by brutal redneck

André Paste

Sem dúvidas, a grande sensação hoje  dos mashups é este menino. Com seus 18 anos, morador de Vitória  e estudante de publicidade, André mistura os funks cariocas com as músicas mais inusitadas e com isso vem conquistando fãs Brasil a fora com a sua capacidade de divertir e fazer dançar. Na sua última mixtape, botou até o Cid Moreira na pista! Como diria Alexandre Matias: “Se o mashup é o tropicalismo do mundo, André Paste é o futuro da música brasileira.”

Esse mixtape de 8 minutos é uma das experiencias sonoras mais intensas que ouvi nos últimos tempos.

http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fsoundcloud.com%2Fandrepaste%2Fmixtape-andre-paste-may-2010 CID MOREIRA ON THE DANCEFLOOR – MIXTAPE ANDRÉ PASTE – MAY 2010 by andrepaste

Ainda é possível citar muitos outros, como Gorky do Bonde do Rolê, DJ Chernobyl, Leo Justi, o Roots Rock Revolution… Fato é que a cena de mashupers cresce exponencialmente no Brasil e a tendência é ficar por um bom tempo por aí. Afinal,  o “eu faço mashup” é o novo “eu toco violão”.

Bootie Rio @ Fosfobox

Quando: 16/07
Onde: Rua Siqueira Campos, 143 – Rio De Janeiro/RJ
Quanto: na hora: R$35 (na hora), lista amiga (bootierio@gmail.com) R$ 25 até 1h, R$ 30, depois
Quem: João Brasil, Chenobyl e Lúcio K

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3 respostas para A cena mashuper brasileira

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