Disco: "The Orchard", Ra Ra Riot

O Ra Ra Riot é uma daquelas bandas que viveram o hype do primeiro disco. Lançado em 2008 o “The Rhumb Line” foi sensação entre os blogs e críticos com seu indie pop carregado não por guitarras, mas por violões cello e violinos. No entando, nem tudo na história da banda foram flores: alguns meses antes do lançamento do primeiro disco, o baterista John Ryan Pike foi encontrado morto logo após  um show da banda. Foi uma grande perda, já que, além de baterista, John dividia as composições com seu amigo e vocalista Wes Miles. Passados 2 anos do lançamento e do hype do primeiro disco, escrito antes da morte de John, a banda escolheu se trancar em uma fazenda no interior do estado de Nova Iorque para gravar a sequência, “The Orchard”.

“The Orchard” usa os mesmo elementos de “The Rhumb Line”, mas o resultado é diferente. Logo na primeira música, a faixa-título, percebemos uma singela homenagem e mensagem de superação da morte do querido companheiro de banda. Na música ouvimos somente as cordas, guitarra e vocal, não há bateria e a letra é mais obscura que a banda já fez “My life is dark/And my body aches/Oh this blood in my mouth/Makes me hate/How we both end up”. Assim, o faixa parece representar uma transição da banda para essa nova fase mais introspectiva.

O single “Boy” aparece em seguida, mostrando uma volta ao velho formato de canções como “Too Too Too Fast” e “Dying Is Fine”. Uma música carregada por um baixo dançante e uma batida pop que a tornam uma das melhores do disco, apesar de destoar completamente das outras faixas.

“Boy” ainda nos leva a uma discussão interessante, o fato das faixas que mais funcionam serem as que têm menos orquestração. Talvez o elemento característico da banda esteja tirando uma leveza que parece ser tão necessária às canções da banda. Muitos momentos acabam ficando dramáticos e carregados demais pela orquestração. Exemplos disso são “Foolish” e “Kansai”, ambas as faixas funcionariam muito bem sem as cordas em primeiro plano. Já “Too Dramatic”, produzida pelo amigo, parceiro de projetos parelos e músico do Vampire Weekend Rostam Batmanglij, sofre do mesmo problema, mas se salva pela batida mais animada.

Além da faixa produzida por Rostam, a influência do Vampire Weekend parece estar em todo disco. “Massachussets” soa como uma versão rejeitada de “Cape Cod Kwassa Kwassa”, e ainda sim é uma das melhores do disco. Um pop vampiresco, sem muitos arranjos dramáticos. Em “You and I Know”, Alexandra Lawn assume os vocais, coloca as cordas em segundo plano e faz um hit de cabaré a la Nancy Sinatra.

Num plano geral, “The Orchard” acaba por sofrer justo por aquilo que era o trunfo da banda, as cordas. Poderia ter sido um dos discos do ano se o banda tivesse sabido dosar os arranjos. No entanto, há ainda a promessa que o Ra Ra Riot de “Boy”, “You and I Know” e “Massachusets” (uma das melhores faixas que ouvi em 2010) possa prevalecer num próximo disco.

[“The Orchard”, Ra Ra Riot. 10 faixas produzidas pela própria banda. Lançado pela Barsuk Records em agosto de 2010.]
[rating: 2.5/5]


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Comments

Uma resposta para “Disco: "The Orchard", Ra Ra Riot”.

  1. Avatar de Silvia
    Silvia

    As orquestrações nããããããããããããããããããããooooooooooooo!!!!! Let the chords sing!!!

    Esse disco está fantástico, do jeito que está. Não consigo entender como as pessoas conseguem achar orquestrações um defeito. Foi assim tb com o primeiro disco do Voxtrot. Uma pena, orquestrações são a cereja do bolo das canções.

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