Selo Vigilante estreia show em SP

Em ação desde o início de junho, o selo de novos artistas da Deck, o Vigilante, faz sua estreia oficial hoje no palco do Studio SP, em São Paulo. O showcase contará com todos os artistas que o selo lançou: The Name, Boss in Drama, Volantes, MIM, Colombia Coffee e Vivendo do Ócio.

O selo chega com a proposta de injetar um pouco de oxigênio no mercado fonográfico brasileiro, focando na venda digital, de vinil e merchandising. Mais do que tudo, o produtor Rafael Ramos, diretor artístico da Deck e do selo, afirma que a missão do Vigilante “é trabalhar muito sem dar gratuitamente a única coisa que você tem pra vender, se não você desvaloriza o que precisa ter valor, a música”, indo de frente ao que virou default para muitos artistas brasileiros, que “vazam” seus discos oficialmente.

Até aqui o selo já lançou 5 compactos em vinil (que serão sorteados em breve pelo Bloody Pop) – “Maçã” do Volantes, “Favorite Song” do Boss In Drama, “Can You Dance, Boy?” do The Name, “Dilema” do Vivendo do Ócio e do “As Coisas Que Ela Diz” Colombia Coffee – e prepara o primeiro disco cheio da cantora de eletropop paulistana MIM para outubro. Conversamos com Rafael Ramos sobre esse primeiro momento do selo, as expectativas e a escolha do cast.

Bloody Pop: Como surgiu a idéia de criar um selo para novas bandas dentro da Deck?
Rafael Ramos: A gente sentia que o mercado brasileiro, e junto dele todas as bandas novas, estava muito ancorado em formatos engessados (isso vale pros selos) e as bandas muito prezas a fazer um som repetitivo, indo em cima de idéias de artistas que já estavam acontecendo. Sempre fomos aficcionados por encontrar artistas novos e originais, e não estávamos encontrando nada. A partir do fim de 2009, conseguimos localizar uma coisa ou outra bem bacana, que trazia frescor não só artisticamente, mas no comportamento geral mesmo, a partir de novas idéias e abordagens de como se trabalhar em nosso enorme país. Com isso, decidimos fazer alguns desses novos artistas dentro de um novo selo que apresentaria não só novos artistas legais e originais mas também uma forma nova e atual de se trabalhar música nova no Brasil.

BP: Como foi feita a escolha dos artistas? Teve alguém que vocês tinham a intenção de contratar, mas que acabou ficando de fora?
Rafael: Até agora contratamos quem procuramos, pois só procuramos depois de ter muita certeza de que podemos fazer um bom trabalho juntos. A escolha é uma coisa muito difícil de explicar, sou eu que faço mas não sei dizer o porque de contratar um artista X. Simplesmente vou em cima de quem me apaixono pela música junto a idéias e possibilidades que vejo do que pode acontecer.

BP: Como vai funcionar o selo a longo prazo? Vocês vão trabalhar a carreira dos artistas? Podemos esperar “discos cheios” das 6 bandas?
Rafael: O disco “cheio” da MIM já sai em Outubro. Sim, trabalharemos a longo prazo, estamos no começo no algo que é pra ser eterno. Mas existe um planejamento pra cada banda, incluindo turnês, lançamentos de música e merchandising, com prazos e objetivos bem definidos. São artistas talentosos que querem ser artistas, na hora certa os discos serão lançados.

BP: Qual é a expectativa de retorno do selo?
Rafael: Além do conceitual, que é movimentar a cena, educar o público a comprar virtualmente (claro, com muitas vantagens em retorno), mostrar uma nova geração criativa estamos trabalhando para o retorno financeiro e de sucesso também. Não ficamos na expectativa, trabalhamos de forma a atingir concretamente nosso objetivo que é estourar esses artistas.

BP: Na sua opinião, qual é a melhor estratégia para artistas e selos pequenos sobreviverem a longo prazo num mercado em pleno processo de transformação, como o do Brasil? Quais riscos e precauções uma banda nova deve tomar?
Rafael: Vejo muita banda talentosa DANDO o disco para download. Sem nada em troca. E depois fica dizendo “tivemos um milhão de downloads”… Claro, de graça até injeção na testa. É preciso que essa turma encontre uma forma de criar sua base de fãs, se aproximando deles nos shows e na internet, ao mesmo tempo. A estratégia é trabalhar muito sem dar gratuitamente a única coisa que você tem pra vender. Se não você desvaloriza o que precisa ter valor, a música.

Showcase do Vigilante @ Studio SP
Data: 01 de setembro (quarta)
Horario: 21h
Local: Studio SP
Endereço: Rua Augusta, 591 – Consolação – SP
Ingresso: R$15 Porta / R$10 Lista Amiga
http://www.studiosp.org/promolista.php

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2 respostas para Selo Vigilante estreia show em SP

  1. Braulio Almeida disse:

    “Claro, de graça até injeção na testa.”
    Não acho que seja por aí. A distribuição digital ainda não encontrou um método eficiente do artista receber pela música, ok; mas o fato é que ela está aí e não adianta pautar novas empreitadas em conceitos antigos. Existe uma nova geração de bandas que acha ok distribuir suas músicas gratuitamente.

    Vinil é lindo, nostálgico, com boa sonoridade… mas será que pode disputar com a praticidade de um ipod com 10.000 músicas? Parece um passo para trás na tentativa de resgatar uma outra cultura, um outro jeito das pessoas ouvirem música e que absolutamente não condiz com a realidade. Todo mundo escuta música no metrô, nos celuares, esperando a namorada(o) na porta do cinema, na internet, etc. etc…
    Ao meu ver, o vinil será item de colecionador, daquelas pessoas que realmente se identificam com a banda. Para esse nicho específico, pode ser uma grande estratégia.

    É bacana, por exemplo, receber um mail da Austrália, sei lá, de alguém que curtiu sua música e pôde baixá-la no seu site. Levando em consideração que nem hollywood consegue proteger suas obras da distribuição digital gratuita, como um artista ou uma gravadora pequena pensam em fazê-lo?

  2. Novo forma de valorizar disse:

    “Se não você desvaloriza o que precisa ter valor, a música.” – O conceito de vender a musica empacotada, impressa, materializada… Caiu! … As bandas se “sustentam” com os shows, escassos por falta de locais de show democráticos…

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