Disco: "Lisbon", The Walkmen


Se pudesse escolher gostaria que o Walkmen fizesse um disco inteiro com a pegada que eles tem em sua melhor e mais conhecida música “The Rat”. Clima pós-punk, com as guitarras em primeiro plano e a bateria rápida, fazendo muitos  rudimentos. Mas não é assim que funciona a vida. E julgar a banda pelo que eu gostaria que ela fosse além de burrice seria uma injustiça com “Lisbon”, que é um belo disco.

Desde do terceiro álbum “A Hundred Miles Of” o Walkmen aposta em cancões mais leves, mais instrumentos acústicos, orquestrações e ambientações. “Lisbon” é a evolução desse trabalho e mudança que o grupo já mantém há um bom tempo. Escrito num espaço de dois anos mostra um banda muito segura com o som que deseja fazer. Pesa também o fato que o grupo mantém a mesma formação desde o começo. Um raridade, afinal já são 10 anos de carreira.

Para os orfãos do “antigo” Walkmem eles parecem brincar ao mudar o clima a cada faixa. Se em “Angela Surf City” eles tocam com o vigor dos tempos de garagem, em “Stranded” nem lembram uma banda de rock, numa música onde os metais mandam em tudo. Completamente diferentes, mas igualmente boas. Por mais que mudem a intesidade entres as músicas o disco possue um unidade incrivel.

O baterista Matt Barick mantém sua excelência sendo uns dos destaques, sempre usando seu kit simples, sendo básico e preciso. Repare na forte batida em “Woe is Me”, canção que é toda levada por um ótimo dedilhado na guitarra de Paul Marron, com seu característico som agudo, sempre associado a surf music.  Timbre de guitarra que está por todo álbum, como se fosse um guia. Fica a impressão que Paul ajustou sua guitarra na primeira sessão e fez pouquissimas alterações até o final das gravações.

Na critica feita pela revista Spin, Sean Fennessey, comenta a sonoridade afirmando que o disco tem forte inspiração nas músicas feitas no clássico estúdio Sun em Memphins (berço de Elvis, Johnny Cash e outros) –  e onde o Walkmen chegou a fazer uma sessão em 2009. Verdade. Na balada “Blue As Your Blood” a sensação que fica na introdução é que a qualquer momento, se fosse possivel, Cash entraria com seu vocal. A balada em questão é a música mais forte do disco, cortante, com um riff repetitivo ao violão e Hamilton Leithauser cantando uma letra triste sobre perda de um amor, pelo visto sem chance volta, e redenção. No versos finais ele afima “Throw off your worries and be at peace” (Jogue fora as precupações e fique em paz).

Hamilton, apesar de ser sempre comparado a Bono, Rod Stewart e Dylan – com um pouco de justiça, já que seu timbre vez ou outra se assemelha ao de um dos citados – acaba imprimindo uma personalidade bem própria e faz um ótimo trabalho. Item raro no mundo indie Leithauser é um cantor de verdade, tem classe e repete bem ao vivo o que faz no estúdio.

Duas ótimas baladas fecham o disco, “While I Shovel The Snow” e a faixa-titulo “Lisbon”. Melancólicas, tristes, mas sem serem soturnas. Nas letras há um tom de esperança e confiança no aprendizado dos tempos ruins.

O Walkmen é uma banda séria, com um bom trabalho em cada disco, sem indulgência, inovando e crescendo. Nota-se isso na formação sólida do grupo ou no simples fato que o disco mal foi lançado e no Youtube já é possível encontrar muitas e boas versões ao vivo de várias faixas.  Só acho que eles podiam pegar mais pesado novamente, só um pouquinho. Que tal no próximo disco?

[“Lisbon”, The Walkmen. 11 faixas produzidas por John Congleton. Lançado Bella Vision, Fat Possum em setembro de 2010.]
[rating: 4/5]

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2 respostas para Disco: "Lisbon", The Walkmen

  1. Mateus disse:

    Lisbon é um discaço. Não sinto falta de peso nas canções.

  2. Desgostei desta banda logo na primeira vez que assisti na MTV o clipe “On The Water”.
    Tadinho do coelhinho, chorei rios!!!!!

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