Disco: "Maximum Balloon", Maximum Balloon

Quem nunca viu esse roteiro? Banda indie faz rock de guitarras angustiado e sério. Banda indie ganha o respeito da crítica e se vê num beco sem saída musical. Banda indie “descobre” aqueles grooves do R&B, do funk, do electro funk, e faz disco com singles pras pistas. Banda indie falha miseravelmente nessa tentativa. Ou não. Esse “ou não” foi para o TV on the Radio, o “trabalho diurno” de Dave Sitek, produtor e idealizador deste Maximum Balloon. Desde o último álbum da sua banda titular, “Dear Science”, de 2008, Dave Sitek vem incorporando os grooves e os sons dessa música negra americana mais dançante na sua paleta de composição e produção. E com o Maximum Balloon, isso se torna mais evidente ainda.

Esse convite  pras pistas de dança fica claro logo com o primeiro single, “Tiger”, também conhecida como a melhor música “dance” de 2010. “Tiger” é aquele tipo de música pop certeira, que não te convida a cantar o refrão grudento ou começar a bater o pé involuntariamente, ela exige que você o faça.

Falando assim parece que o álbum é uma coletânea de singles para colocar numa festa qualquer. Não é. Apesar de boa parte das faixas do disco se concentrar nos ritmos mais rápidos e dançantes, há uma grande variedade de climas. Isso acontece também por causa de uma bela sacada de Sitek: mesmo num projeto solo, ele não fica sob os holofotes, pois escolheu vários colaboradores para realizar o que estava na sua cabeça. Cada um, desde os seus colegas de TV on the Radio até Karen O dos Yeah Yeah Yeahs, traz uma qualidade especial para cada música.

Quando digo que o trabalho de produtor é o que mais aparece aqui, então não é à toa que o álbum soe menos orgânico, sem aquela pegada de banda. A característica principal de “Maximum Balloon” é ser um álbum pop consistente. Isso é uma qualidade importante, mas, infelizmente, insuficiente. Às vezes os trabalhos mais marcantes são aqueles que causam estranhamento no começo, mas vão te conquistando aos poucos. Os melhores momentos do álbum, concentrados mais ou menos na primeira metade, conquistam pela facilidade com que entram na mente, não pela ousadia ou ambição. É o caso do segundo – e ótimo – single “Groove Me”, a TVontheRadiana “Absence of Light”  e a homenagem ao Prince da época de “Sign o’ the Times” , “Shakedown”.

Sem contar as duas últimas faixas, que é onde o disco se perde um pouco, Sitek fez um álbum com cara de álbum, mesmo que os grandes momentos individuais eclipsem a falta de uma ambição criativa maior. É um dos bons discos pop do ano. Nem mais, nem menos.

[“Maximum Balloon”, Maximum Balloon. 10 faixas produzidas por Dave Sitek. Lançado pelo selo DGC/Interscope em setembro de 2010.]

[rating: 3.5/5]

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