Disco: "Flamingo", Brandon Flowers

Quando o primeiro disco solo de Brandon Flowers estreiou e logo estava nos primeiros lugares nas paradas. Isso não foi surpresa para ninguém que acompanhou a divulgação maciça que o vocalista vinha fazendo de “Flamingo”, antes mesmo dele estar pronto. Apesar de ser interessante mais por ser a primeira incursão de um Killer pela solitária carreira sem o grupo do que por sua música em si, certo mesmo é que este trabalho começou a ser criado já com a certeza de sucesso, mesmo que para isso muitos fãs da era Sam’s town tenham que sair frustrados com isso.

Flowers é um paradoxo ambulante. Chama a atenção pela estranheza que as palavras mórmom e rockstar causam quando colocadas juntas associadas a sua figura. Ao mesmo tempo, em certos momentos aparenta ser apenas um bom pai de família que alcançou o estrelato meio sem querer e por isso parece fora de seu habitat natural. Ele também começou a trabalhar em “Flamingo” com a desculpa de ser viciado em trabalho; já que seus companheiros de banda queriam descansar após turnês e discos quase consecutivos, ele tinha a necessidade de continuar na labuta, mas o que aconteceria por uma mera aversão ao ócio parece ser mais baseado na necessidade de estar embaixo dos holofotes.

Musicalmente falando, “Flamingo” não é um disco ruim. Na verdade, é repleto de hits em potencial. Já de saída “Welcome to Las Vegas” é uma ode à Sin City que tenta romantizar a cidade e colocá-la no imaginário de uma nova geração da mesma forma que um dia Bruce Springsteen fez com Nova Jersey. Pensando na forma como esse cd foi trabalhado junto com o produtor Stuart Price, a lembrança Springsteeana que ecoa na primeira faixa não parece mera coincidência. The Boss sempre foi um dos maiores ídolos de Flowers e a vontade de seguir os passos de ídolos como ele e Morrissey é algo que o discípulo nunca fez muita questão de esconder.

“Crossfire”, primeiro single com direito a clipe hollywoodiano com Charlize Theron, deixa um pouco a desejar. Demora para se tornar minimamente memorável uma vez que soa como os piores momentos do esquecível Day and Age. Já o dueto com Jenny Lewis em “Hard Enough” funciona, simplesmente. Os melhores pontos de “Flamingo” são justamente aqueles em que Brandon não se leva tão a sério, como se entrasse no cassino pronto para perder tudo e sair feliz da vida, como nas faixas “Jilted lovers and broken hearts” e na adorável “Was it something I Said?”, que comprovam que Flowers costuma ser o melhor dessa nova geração quando chega a hora de beber na fonte dos pop anos 80.

No fim de sua primeira tentativa solo, Brandon acaba se saindo melhor do que o esperado. Para quem ficou frustrado com “Flamingo”, resta torcer que o vocalista tenha exorcizado seus desejos narcisistas e esteja pronto para seguir pelo rumo certo junto com o The Killers.

[“Flamingo”, Brandon Flowers. 10 faixas com produção do Produtor Stuart Price. Lançado pela Gravadora Island, Vertigo em Setembro de 2010.]

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6 respostas para Disco: "Flamingo", Brandon Flowers

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  2. Felipe Nunes disse:

    não discuto o talento do Brandow e coisas assim, mas ele é um, quiçá, O artista mais supervalorizado no mercado hoje. Ainda não vi nada de bom ou de novo nesse disco. Receita batida e cansativa.

  3. Ma Gutierrez disse:

    pra mim brandon é diferente de tudo o que existe no mundo da musica, e na minha opinião flamingo é muito bom, dosando muito bem os ritmos.

  4. Celso disse:

    Sou um grande fã do The Killers, e por ser um álbum solo do Brandon Flowers, eu já não esperava que soasse 100% Killers.
    Achei um album extremamente acima da média, com momentos grandiosos como Welcome to Fabulous Las Vegas, Only the Young, Crossfire, dentre outras.
    Só achei a crítica acima bastante contraditória. Citações como “funciona, simplesmente”, “piores momentos do esquecível Day and Age”, etc… não batem com o desfecho “acaba se saindo melhor do que o esperado”.

  5. alex disse:

    Achei o melhor cd do ano! Todas as musicas são ótimas, sem exceção, e todas funcionam. Brandon acertou a mão mais uma vez.

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