As 50 Melhores Músicas Internacionais de 2010: 50-41

Laura Marling pode até ter tido Ethan Johns (produtor conhecido pelos melhores discos de Ryan Adams, Rufus Wainwright e Kings Of Leon) para garantir que seu “I Speak Because I Can” soasse como o álbum de folk tradicional que é, mas canções como “Rambling Man” provam que ela provavelmente conseguiria sozinha. A letra fala sobre autoafirmação (“let it always be known that I was who I am“), mas a voz de Laura traz a sensação clara que, mais do que ninguém, ela sabe que está a pôr verdades muito maiores em canções de 3 minutos. Tal qual seus ídolos. (Livio Vilela)

Laura Marling – Rambling Man


Da última vez em que Hamilton Leithauser permitiu ao The Walkmen soar são direto musicalmente, ele estava esmurrando portas e gritando coisas limítrofes como “Can’t you hear me, I’m bleeding on the wall?”. Em “Angela Surf City”, a coisa mais rock sem firulas que a banda lançou desde “The Rat”, Hamilton troca desespero por conveniência. Ele não a quer de volta porque precisa dela, ele simplesmente não tem outra opção melhor no momento. Do ponto de vista de inteligência afetiva, isso soa até como um retrocesso; em relação à autoconfiança, entretanto, todo mundo sabe que a borda é bem mais confortável que o fundo do poço. (Livio Vilela)

The Walkmen – Angela Surf City

Depois de um disco produzido e composto pelos seus conterrâneos do Air, Charlotte decidiu dividir a produção e composição do seu novo disco com Beck. “Heaven Can Wait” foi o primeiro single e teve um dos melhores clipes do ano. A faixa é a única do disco em que Beck canta junto com Charlotte e é provavelmente a melhor coisa que o cantor fez esse ano. Bateria e percussão bem fortes, violão e piano quase desafinados segurando a música e fazendo a base para vocais e metais num refrão memorável. Coisa fina. (Matheus Vinhal)

Charlotte Gainsbourg – Heaven Can Wait

“Crash Years” é a prova que os Pornos podem ser bons sozinhos, mas juntos são irresistíveis. Se há quem questionasse pós-“Challengers” se a banda ainda funcionava tão bem quanto as carreiras-solo do trio principal, basta mais uma melodia perfeita e grudenta de Carl Newman e a excelência vocal de sempre de Neko Case para provar que, sim, o New Pornographers continua sendo a melhor banda de power pop em atividade. E caso você se esqueça, os assovios e o simpático arranjo de cordas servem como um lembrete. (Livio Vilela)

The New Pornographers – Crash Years

Mesmo quase um ano após a primeira vez que ouvi o Two Door Cinema Club, ainda não consigo entender se o que a banda está propondo é puro exercício de nostalgia do passado recente ou se eles realmente acreditam que o indie rock soft-core circa 2005 é algo tão relevante assim quanto a galera que ainda dá corda para NME parece acreditar. Seja como for, “Undercover Martyn” funciona tanto para quem espera que o DJ toque “aquela música incrível que aquele blog postou ontem”, quanto para quem secretamente vibra quando sente o baixo de “Juicebox” invadir a pista. (Livio Vilela)

Two Door Cinema Club – Undercover Martyn

Depois de um trabalho que era um pouco “pacato cidadão”, como ouvi de uma amiga minha, a Rihanna volta com um disco de festa. Se “Loud” não é um acerto de cabo a rabo, a vibe eletropop europeu ladeada por um refrão bate-cabelo funcionou bem, aqui. “Only Girl (In the World)” é o tipo de faixa que, depois que eu descobri, me perseguiu (e persegue bastante gente, ainda) por todos os lugares: o vão do prédio, a academia, a boate e os churrascos de fim de ano que limpam (ou poluem) sonoramente as ruas das cidade. A vantagem é que a música chiclete que eu tenho ouvido conta com a versão mais diva que a Rihanna já mostrou e uma batida que foi feita pra ser dançada. Bom trabalho, pra quem gosta de grudes. (Rafael Abreu)

Rihanna – Only Girl (In The World)

Depois de um excelente disco em 2007 cheio de potenciais hits, todo mundo (eu, pelo menos) pensava que o Spoon viria para conquistar o mainstream de vez. Mas eis que a banda toma o caminho inverso e aposta nos seus tiques e manias. Apostaram certo, e a prova disso é “Written In Reverse”, uma canção subterrânea que traz aquele pianinho, guitarras rasgadas e batida certeira, marcas registradas da banda. Essa é pra todo mundo que gosta do seu pop, assim, meio estranho, mas pop, no fim das contas. (João Oliveira)

Spoon – Written In Reverse

Apesar do The Drums já ter lançado um EP só com músicas boas, quando o vídeo de “Best Friend” foi divugado como uma das músicas do primeiro longplay, a banda conseguiu um novo patamar de visibilidade. Foi por essa música e não foi sem mérito que o The Drums se tornou o grupo mais hypado do ano. O clipe simples demonstra a força da música e o estilo de um grupo que infelizmente não foi mais do que se esperou dele em 2010. Mas, pensando bem, com “Best Friend” eles foram. (Matheus Vinhal)

The Drums – Best Friend

Tomando “Swim” como referência, nem dá para acreditar que os garotos do Surfer Blood são da Flórida e não da Califórnia. Tudo aqui ecoa a golden coast: os vocais harmonizados via Beach Boys, as guitarras à la Weezer e até brado nonsense meio Blink 182 do refrão. O segredo aqui é não tratar as influências como pretensão e encarar “Swim” como em sua expressão mais simples: 3 minutos de pura good vibe. (Livio Vilela)

Surfer Blood – Swim

Ainda é cedo para determinar, num plano geral, o tamanho do impacto de “Person Pitch” e “Merryweather Post Pavilion”. No entanto, é correto afirmar que as primeiras consequências desses álbuns já estão por aí, à solta pelo indie rock americano. “Real Life”, melhor música do Tanlines até agora, é talvez o filho mais pródigo das obras mais recentes do Animal Collective/Panda Bear. A combinação de sintetizadores com percussão orgânica e voz de Eric Emm, tão dura quanto possível para uma banda vinda do Brooklyn, dá uma dimensão quase concreta ao lamentos e preces por conexão e pertencimento. Muito como o “I just want four walls and adobe slabs for my girls”, a “casa” ou a “estrada” que ele afirma procurar não são apenas desejos espirituais, mas necessidades físicas. (Livio Vilela)

Tanlines – Real Life

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4 respostas para As 50 Melhores Músicas Internacionais de 2010: 50-41

  1. Pingback: Tweets that mention As 50 Melhores Músicas Internacionais de 2010: 50-41 | Bloody Pop -- Topsy.com

  2. Adoro esse tema chiclete da RiRi!! A propósito , adoro as merdalhada pop!!!

  3. Two Door Cinema Club – Undercover Martyn bombou no meu iPhone ano passado. Muito bom. =)

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