As 50 Melhores Músicas Internacionais de 2010: 40-31

“Forced To Love” mostra o quão bem os anos de “recesso” e os projetos “solo” fizeram ao Broken Social Scene. Despidos das pretensões épicas do seu terceiro álbum (que ainda aparecem em alguns momentos de “Forgiveness Rock Record”), a banda faz da faixa o melhor exemplo de como uma galera tão grande pode fazer uma canção tão simples – como se eles encapsulassem horas e horas de jam em um riff e um refrão. (Livio Vilela)

Broken Social Scene – Forced To Love


Um dos motivos de ser o SALEM quem está recebendo os louros do drag/withchouse/ill wave/etc, e não outra das dezenas de bandas com “witch”, “dark”, “xx”, “oo” ou triângulos em seu nome, é o fato de haver alguma redenção no meio da grosseria da música do grupo. “Extremos” talvez não seja a palavra apropriada para definir os lugares pelos quais a música do trio passa, a ideia aqui é muito mais de colisão de polaridades opostas: deus e diabo, o coral e barulho, a “noite rei” e o amanhecer. Por mais que possa ser medo o que eles querem provocar, “King Night” deixa no ar a dúvida de que o SALEM possa ser melhor exatamente no que eles parecem tirar sarro. (Livio Vilela)

SALEM – King Night

Faz três anos que Kevin Barnes & Cia. vêm fazendo uma curva cada vez mais acentuada a uma funky vibe cheia de sensualidade setentista. “Sex Karma”, do bom-o-suficiente “False Priest”, pega o melhor do que a banda tem feito ultimamente (com uma folha de pagamento que vai de Prince a Parliament) e o une aos impulsos mais psicodélicos do início da carreira. Juntaram a inocência de um Jackson 5 com um pouco da psicodelia ensolarada dos Zombies e deu no que deu: o funk deliciosamente pastoral que é o playground da faixa. (Rafael Abreu)

of Montreal – Sex Karma

Eu sou suspeito pra falar dessa música. Porque simplesmente considero “I Look to You” a melhor música de 2010. Ponto. Sim, eu poderia ficar ouvindo por um dia inteiro, sem parar, o sample em loop dos metais que segura música do início ao fim, mas a faixa ainda tem um baixo hipnotizador, lembra por alguns instantes os melhores momentos dos remixes de si mesmo do Daft Punk e, pelo amor de Deus, ainda tem Kimbra e sua voz num refrão memorável. Sério, escuta. (Matheus Vinhal)

Miami Horror – I Look To You (Feat. Kimbra)

Se os discos anteriores de Ariel Pink foram tão influentes assim para essa geração que grava no seu laptop discos de música inspirada nos anos 80, “Round And Round” é o momento em que ele fala “é isso mesmo e agora eu tô aqui para mostrar como se faz isso, melhor”. Só que no meio da faixa – que soa como algo meio Bee Gees fazendo música lounge – Ariel baixa a guarda e entra na onda, num ato quase anti-hype. O resultado é infinitamente mais sincero do que quem foi influenciado por ele, diga-se. (Livio Vilela)

Ariel Pink’s Haunted Graffiti – Round And Round

“White Sky”, pelo menos na primeira vez em que você a escuta, não parece se diferenciar muito do que o Vampire Weekend fez, em especial no primeiro disco: sintetizador comendo baixinho lá no fundo, uma guitarra limpinha pontuando aqui e ali e lembrando que esses americanos curtem um afrobeat, letra, baixo e percussão espertos. Mas você sabe que do jeito que a música caminha o refrão é todo causa e razão da música. E então ele, o refrão, chega, com Ezra Koenig pirando na batatinha, alucinando numa gritaria deliciosa e você entende porque o grupo influencia tanta gente hoje. (Matheus Vinhal)

Vampire Weekend – White Sky

Quando escutei “California Gurls” pela primeira vez eu não imaginava que ela estaria na minha lista de melhores de 2010, quem diria na da equipe do Bloody Pop. Todo mundo sabe que Katy Perry não é lá uma artista muito imaginativa ou ousada musicalmente. Outros já disseram que é justamente isso que faz com que ela tenha sucesso (em algumas canções). O foco naquele formato pop verso-refrão-verso-insira-um-rapper e nas letras fáceis e pseudo-provocativas é tanto uma fórmula para grudar a música no ouvido do público quanto para gerar atenção para a cantora. Mas por mais que a sua proposta não seja nada profunda, não há como não admirar a junção daquele baixo meio trilha de Seinfeld, a guitarra sincopada que remete à Michael Jackson e aquele falsete matador logo antes do refrão. É o guilty pleasure do ano. Afinal, música pop, como os doces no clipe da música, também é junk food. (João Oliveira)

Katy Perry – California Gurls (Feat. Snoop Dogg)

Ao contrário dos outros álbuns do Gorillaz, “Plastic Beach” traz uma boa quantidade de faixas que bem poderiam fazer parte de um álbum do Blur. Talvez por isso Damon Albarn tenha finalmente decidido mostrar sua cara nos shows da banda e deixar claro que 2D, Murdoc, Noodle e Russell são apenas fatias da sua personalidade. “On Melancholy Hill”, não fosse a infusão de teclados soul pop oitentistas, soaria igual ao pop peculiarmente perfeito de discos como “Parklife” e “The Great Escape”, sem a acidez ferina daquele biênio. O mundo de Albarn está tão ou mais complicado do que em 95, só que agora ele parece estar disposto a nos receber com ternura de quarentão. Os tempos mordazes ficaram para trás, mas não a capacidade única de Damon de escrever canções como “On Melancholy Hill”. (Livio Vilela)

Gorillaz – On Melancholy Hill

Não sei se alguém já disse isso aqui antes: o Warpaint não é exatamente uma banda. O grupo tá mais pra uma irmandade meio esotérica/sensual/esvoaçante de sacerdotisas psicodélicas. Por mais que o grupo possa parecer um pouco intimidante, assim lido, “Undertow” tira qualquer dúvida da feminilidade que as moças são capazes de destilar. As vozes delicadas que começam serenas e acabam idem – um groove submisso e uma quebra na estrutura da faixa se infiltrando como se estivessem ali o tempo todo – falam de olhos castanhos que mais parecem um céu azul que ilumina rios. Quem corre tão lenta quanto caudalosa, no entanto, é a própria faixa. (Rafael Abreu)

Warpaint – Undertow

Ao contrário de quase todas as outras faixas do Arcade Fire, “Ready To Start” não tem clímax. Da entrada do baixo pulsante até o momento em que a música começa a se dissolver entre a notas dos sintetizadores, há pouca mudança no ritmo que Régine (no seu momento Meg White) imprime a faixa. O efeito é devastador: tal qual o protagonista da faixa, somos jogados num turbilhão em que o estar pronto parece mais importante que aquilo para o que se está pronto, em que a espera pelo clímax é o próprio clímax em si. (Livio Vilela)

Arcade Fire – Ready To Start

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3 respostas para As 50 Melhores Músicas Internacionais de 2010: 40-31

  1. Pingback: Tweets that mention As 50 Melhores Músicas Internacionais de 2010: 40-31 | Bloody Pop -- Topsy.com

  2. Apesar de não concordar com algumas posições, está ficando bacana essa lista. Também estou finalizando meu Top 20 de músicas lá no blog e publiquei a primeira metade.

    Já adianto que nenhuma das músicas listadas aqui constam na minha, temos opiniões divergentes. Mas é bacana ficar atento a essas listas, por mais que discordemos delas.

    Abs!

  3. Gosto da Katinha, principalmente “Teenage Dream”!! 🙂

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