As 50 Melhores Músicas Brasileiras de 2010: 40-31

Há muito pouco para ser saber sobre mario maria além do fato de que ele vem do Rio de Janeiro e gravou todas as 7 canções dos seu primeiro EP (“All The Way To Professora Núbia) num computador com Garage Band. Apesar da Zona Sul carioca não parece ser lá o ambiente mais provável para ser lar de um trovador folk lo-fi, tudo parece estar perfeitamente no lugar em “Shine, Levine”. Quer dizer, há tão pouca coisa acontecendo – alguns acordes e ruídos, a voz tímida de Mário, um assobio e uma batida quase primal – que é impressionante como a canção soa tão plena. Há algum silêncio, é claro, mas ouve-se a cada segundo uma imensa (e deliciosa) nostalgia transformando aqueles pequenos sons em algo muito maior. (Livio Vilela)

mario maria – Shine, Levine


“Come And Go” começa com um daqueles riffs lânguidos à la Josh Homme que de certa forma anuncia o Wannabe Jalva como uma espécie de resposta gaúcha ao Black Drawing Chalks. Essa sensação dura 1 minuto exato e depois é substituída pela ainda mais agradável impressão de não fazer a menor ideia de para onde a música está indo. A falta de direção até pode vir a ser um problema para banda no futuro, mas nas várias idas e vindas de “Come And Go”, o Wannabe Jalva prova que em apenas 6 minutos eles conseguiram ter mais boas ideias do que várias bandas tiveram em anos e anos de carreira. (Livio Vilela)

Wannabe Jalva – Come And Go

Eu tenho a teoria que a maioria das pessoas que se ressente com o fato do Moptop ter conseguido seu contrato com uma grande gravadora o faz menos por aquela baboseira deles terem “se vendido” e mais pela incapacidade da banda em conseguir fazer sucesso e chamar o resto da “cena” junto. O Moptop falhou por não ter canções mais diretas do que “O Rock Acabou” (uma ótima canção, mas cifrada demais para quem leva Lucas Silveira em consideração, seja a massa de adolescentes ou os editores da Rolling Stone). E o que tem o Single Parents com isso? Então, talvez se eles tivessem aparecido 4 anos atrás com “Last Conversation” a história poderia ter sido diferente. Embora a música seja cantada toda em inglês e cite Sonic Youth no meio, ela leva aquela simplicidade de conversa de telefone que marcou os melhores – e bem breves – momentos nesses anos pré-Restart em que o emo made in brazil esteve em alta. O rock não acabou, de qualquer forma. (Livio Vilela)

Single Parents – Last Conversation

Como toda boa faixa de abertura deve fazer, “Amplidão” determina o tema e a paisagem que nos espera pelo decorrer de “Calavera”. Há a voz de Guilherme Mendonça, simples e funcional, há a sonoridade “de banda”, o trompete cada vez mais discreto e integrado ao resto do som, há a influência clara da fase eletrônica de Radiohead (“Optmistic”, principalmente) e há principalmente os anseios por conexão quase religiosos, que permeiam todo disco. (Livio Vilela)

Guizado – Amplidão

Quando os dois “primeiros discos” de Nina Becker finalmente foram lançados no meio de 2010, já se sabia que eles seriam um pouco diferentes do que Nina estava acostumada a fazer na Orquestra Imperial e em seus outros projetos e que também teriam personalidades diferentes. “Vermelho” foi o que conquistou mais fácil, brasa que era, mas foi “Azul” e seus pequenos sons e silêncios que me deixaram intrigado. “Ela Adora” é provavelmente a faixa que melhor traduz a proposta do disco – da instrumentação discreta, mas sempre presente, o discurso mais íntimo, comparado ao seu irmão-gêmeo, e o tom da voz de Nina, uma rara combinação de lúdico e melancólico. (Livio Vilela)

Nina Becker – Ela Adora

Com pouco mais de 7 minutos de duração, “Feito pra Acabar” é sem sombra de qualquer dúvida a única grande música de 2010. Digo “grande” no sentido da música tomar proporções épicas, seja em letra, arranjo, voz etc. Ainda que sua letra não seja das mais inspiradas do disco de Jeneci, “Feito pra Acabar” é de certa maneira um alento, porque é, infelizmente, algo único na produção musical desse ano, mostrando e demonstrando que um pouco de ambição não faz mal a ninguém, muito pelo contrário. (Matheus Vinhal)

Marcelo Jeneci – Feito Pra Acabar

“Amigo Do Tempo” mostrou para muita gente que nesses 4 e difíceis anos o Mombojó mudou bastante. Se é deles o caneco de maior “breakup record” da década passada (“Nadadenovo”, uma aula de como amar e odiar uma mesma pessoa em 15 lições), é incrível ver que a música esolhida para puxar a divulgação do novo álbum tenha sido a melhor e mais estranha “canção política” de 2010. “Papapa” pode enganar pelo nome e pelo refrão, mas enquanto as outras 10 músicas do disco são ruminações sobre o tempo que passou e seus efeitos sobre a banda, a faixa parece mirar numa certa hipocrisia presente nesse clima de aceitação das diferenças que pautou a produção cultural brasileira nas últimos anos. É um movimento arriscado, mas, para uma banda que passou por tanto, saber que eles ainda podem nos surpreender é um alívio. (Livio Vilela)

Mombojó – Papapa

Se há alguns meses alguém contasse para você que há no Rio de Janeiro uma banda de garotos com idades variando entre 17 e 22 anos, fazendo músicas com mudanças bruscas de andamento como “Salisme” e influenciados por coisas como (na citação dos próprios) a trilha de Bomberman Hero, Kate Bush e The Temptations, você provavelmente não acreditaria, correto? Pois o Dorgas existe e o fato de “Salisme” soar tão diferente de tudo que se ouviu em 2010 e mesmo meses depois continuar tão desafiadora e divertida como da primeira vez diz muito sobre o que se espera deles a partir deste ponto. Você pode até brincar de “adivinhe as influências” aqui como se faz com qualquer outra banda nova – achamos, em borrões, um pouco de Talking Heads nas guitarras e algo do Hurtmold das antigas na dinâmica – mas, sinceramente, não fazemos a menor ideia do que está acontecendo. Só sentimos que é bom, muito bom mesmo. (Livio Vilela)

Dorgas – Salisme

O The Name é, sem dúvida, uma das bandas que mais parece trabalhar para que a sua carreira decole. E por muito tempo eles foram só isso: uma banda indie brasileira esforçada. Tudo que soava desinteressante nas músicas anteriores do trio de Sorocaba, está em perfeita harmonia em “Let The Things Go”, faixa escolhida para lado B do single lançado no meio do ano. A pegada, o groove, a produção (a cargo de Eduardo Ramos e do prodígio Kurc) e até os vocais, que eram um dos principais problemas da banda, trabalham junto nessa que parece ser uma daquelas faixas que divide a carreira de uma banda em 2. (Livio Vilela)

The Name – Let The Things Go

Nos dois últimos anos – tempo demais, na minha opinião – os curitibanos do stella-viva foram como aquela notícia incrível que só você sabe, mas que você ainda tem que segurar por que a notícia ainda não aconteceu de fato. Se ainda estamos desesperadamente ansiosos para ouvir o resto de “Deus Não Tem Aviões”, é porque o primeiro single do álbum, “Aeromoça”, é tão incrível. Musicalmente contida, mas emocionalmente intensa, a faixa liga Clube da Esquina a essa sonoridades pós-Stereolab que gente como Bradford Cox ou Field Music estão propondo lá fora. Uma discreta e certeira revolução. (Livio Vilela)

stella-viva – Aeromoça

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