As 50 Melhores Músicas Brasileiras de 2010: 30-21

Existe um arquétipo de personagem feminina no cinema americano chamado Manic Pixie Dream Girl, que descreve as variações daquela garota incrível que entra do nada na vida do protagonista masculino e o salva de sua própria e miserável existência. De Diane Keaton em “Annie Hall” a qualquer personagem interpretado por Zooey Deschanel, há inúmeras (e geralmente fascinantes) aparições da tal garota pela história cinematográfica. Mudando de universo, seria válido criar um termo para descrever canções como “Bonfires”. Você provavelmente já ouviu alguma canção tão encantadora e parecida com “Bonfires”, o que em momento nenhum tira o mérito do trio curitibano Rosie And Me em fazer esse indie pop ensolarado e levemente dançante, com vocal doce e assovios. (Livio Vilela)

Rosie And Me – Bonfires

Tá: “Sou Foda” se salvava só pelo vídeo, pelo “dançarino” muito doido fazendo passos de dança completamente aleatórios na frente de um cromaqui escroto e pelas mordidinhas de lábio que um dos Avassaladores dava mil vezes durante o curso da obra-prima audiovisual. Passado o frenesi do meme, no entanto, e o fato que sobrava era que, fora a letra, a música não era lá essas coisas. Entra André Paste e resolve esse problema com o eletro romântico do MSTRKRFT perfeitamente sincronizado à declaração de caráter da música. O cara, a faixa, a letra, o pianinho meio sombrio/meio melancólico, as batidas fragmentadas: não adianta, são todos fodas. (Rafael Abreu)

André Paste – Sou Foda (Avassaladores) Vs. Heartbreaker (MSTRKRFT)

Na primeira audição, “O Tal Casal” soa ao mesmo tempo estranha e gratuita demais. Bastam algumas audições para entender onde Vanessa Da Mata quer chegar. Com uma meia dúzia de hits (tipo, sucessos mesmo) na bolsa, Vanessa se vê no direito de arquitetar um molde de canção pop brasileira para nova década, algo que não é rock, não é mpb, não é regionalista. É ambiciosa, mas tem refrão que gruda de primeira; tem guitarra inspirada em Fernando Catatau (quem toca é na verdade Alberto Continentino), mas caberia, em outro arranjo, num álbum da Ana Carolina. É um monte de coisas, mas é, principalmente, boa. (Livio Vilela)

Vanessa Da Mata – O Tal Casal

Se você pensar um pouco, “Lembra O Quê?” é um título bem sugestivo (e até um pouco raivoso) vindo de uma banda nova. Não sei se a intenção de nomear sua melhor faixa com esse título foi consciente, mas realmente parece que A Banda de Joseph Tourton estava meio fula com gente tentando comparar o som da banda a seus pares quando batizou a canção. Desde que surgiu, o quarteto tem sido enquadrado como uma espécie de Hurtmold (o pós-rock a brasileira) que ouviu Mombojó (as flautas, os arranjos), mas, pense bem, quando foi a última vez em que o Hurtmold soou tão direto e o Mombojó soou tão sem neuras? Lembra o quê, mesmo? (Livio Vilela)

A Banda De Joseph Tourton – Lembra O Quê?

A introdução de “Lero-Lero”, com um violão e um cavaquinho conversando de um jeito forte e ao mesmo tempo simples, é tão bacana e aumenta tanto a expectativa para o resto do primeiro disco de Luísa Maita que infelizmente ele não dá conta do recado. “Lero-Lero”, o disco, pode ser resumido nesse “riff” brasileiro que, mais que simples intro, é na verdade a alma de toda a canção de Luísa. É uma música tão boa que ofusca o resto. (Matheus Vinhal)

Luísa Maita – Lero-Lero

Como suas companheiras de disco, “Potência” é um ponto perdido entre a bossa, a Rita Lee da virada dos anos 70 para 80 (“Caso Sério” é relida à francesa em “Sérieuse Affair”) e um AIR menos eletrônico – uma balada deliciosa e sexy. Mas enquanto algumas músicas da dupla falham por seguirem numa pegada leve demais, quase onírica, “Potência” é mundana e elétrica, com a voz de Letícia duelando com instrumentação – baixo, guitarra swingada e teclados vintage – que insiste em quebrar o andamento. É como uma dança, em que a dama e o cavalheiro conduzem e são conduzidos ao mesmo tempo. (Livio Vilela)

Letuce – Potência

Confesso que não tinha achado muita graça numa demo que tinha ouvido no soundcloud da banda no início, mas o resultado final de “Cloud Liquor” ficou muito além de satisfatório e mostra como o Inverness evoluiu do “Forest Fortress” para cá. Embora a canção comece como um folk bastante simples, eles percorrem diversos caminhos (dream pop à la Cocteau Twins, chamber pop outonal quase Grizzly Bear) até chegarem no final épico cuja melhor definição seria “puro Inverness”. Bela canção. (Livio Vilela)

Inverness – Cloud Liquor

Nunca coloquei um pé no Rio de Janeiro, mas escutando “Morena Russa” não tem como confundir o som do Do Amor com outro lugar, mesmo que a música da banda seja um híbrido de muitas coisas. Desde a forma meio Los Hermanos do “Laiálaiá”, da guitarrinha jorgebeniana e da quebrada rítmica pra bossa nova, tudo na banda remete à cidade (aonde mais você encontraria uma morena russa passeando nesse Brasil?). Ao contrário de outras canções permeadas pela ironia, “Morena Russa” é direta e certeira, provando que o Do Amor não está pra brincadeira como banda pop. As novelas da Globo estariam melhor servidas com Do Amor do que com os drum ‘n bossas e Jorges Vercilos da vida. Mas diferente da música e da morena, o mundo nao é perfeito… (João Oliveira)

Do Amor – Morena Russa

Por muito tempo o Nevilton era uma das melhores bandas brasileiras, mesmo sem ter uma gravação boa como “O Morno” para apresentar. Em janeiro de 2010 o cenário mudou um pouco com o vigoroso EP “Pressuposto”. Na melhor das 5 canções do lançamento, o trio de Umuarama nos lembra exatamente porque chamou nossa atenção em primeiro lugar – “O Morno” é rock sendo tocado ALTO e por gente que sabe tocar e se diverte muito fazendo isso (sério, você já viu um show da banda? VEJA). “O Morno” soa como um aviso do trio para um monte de outras bandas brasileiras por aí: o Nevilton está pronto para explodir. (Livio Vilela)

Nevilton – O Morno

Funcionando como uma continuação ressacada de “Me Atirar na Orgia” do disco anterior, “Decência” é uma canção que parece boba e simples de fazer, mas nao é. Resumir uma história fácil de identificar e ir direto ao ponto é uma das qualidades dessa que é uma das melhores músicas pop do ano, brasileiras ou não. E olha que, talvez tirando os “Uh Uh Uhs”, a música não tem nem refrão. Coisa fina. (João Oliveira)

Cérebro Eletrônico – Decência

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3 respostas para As 50 Melhores Músicas Brasileiras de 2010: 30-21

  1. Pingback: Tweets that mention As 50 Melhores Músicas Brasileiras de 2010: 30-21 -- Topsy.com

  2. joao vagina disse:

    azar seu

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