As 50 Melhores Músicas Brasileiras de 2010: 20-11

Há muitas outras músicas mais elaboradas e, de fato, melhores que “Ciranda Do Incentivo” no primeiro disco solo de Karina Buhr, mas é esse pueril relato sobre como “é preciso entrar no gráfico, do mercado fonográfico” que merece o maior destaque. Muito como “Fita Bruta” do Wado anos atrás, “Ciranda Do Incentivo” é um daqueles raros momentos em que o indie brasileiro desce do pedestal (que existe, não se engane) para tentar investigar os motivos que o mantém ainda como um consumo de nicho. Karina não tem respostas na batida do seu tamborzinho (um funk carioca, enfim), mas sabe bem que a tal independência não é tão independente assim e nem está pagando como deveria. Enquanto as coisas não se acertam, ela trabalha para entrar no gráfico. E (se) diverte. (Livio Vilela)

Karina Buhr – Ciranda Do Incentivo


Embora seja “Let’em Shine Below” ou “Toothless Turtles” que tenham feito o maior estrago, “Eagle” é o momento em “Sunga” em que as coisas ficam realmente sérias. Seja pelo tom mais sombrio e reflexivo, ou pela letra não tão esperançosa (tudo que eles têm agora é agora), essa faixa é o mais fiel retrato da maturidade que o Holger atingiu em “Sunga”. Num álbum que, no fim das contas, atendeu às grandes expectativas que todo mundo tinha, “Eagle” é o momento em que eles olham para o futuro. Ávidos. (Livio Vilela)

Holger – Eagle

Os sopros que iniciam a música já dão a deixa, fica aquela coisa no ar, você já ouviu algo assim, mas é quando Jeneci começa mesmo a cantar a letra de Quarto de Dormir que você saca tudo: cadê essa canção no Especial de Fim de Ano do Rei? Arnaldo Antunes e Jeneci enfim conseguem fazer uma canção que não apenas emula a fase romântica de Erasmo e Roberto, mas que se coloca ao lado das melhores baladas feitas na Jovem Guarda. Exagero? Talvez a voz de Jeneci não se adeque tanto à música, mas espere alguém com uma voz mais forte e mais experiente gravá-la – algo que não deve demorar a acontecer – e depois a gente conversa de novo. (Matheus Vinhal)

Marcelo Jeneci – Quarto De Dormir

Com uma das melodias mais bonitas de “Amigo Do Tempo”, “Entre a União e a Saudade” abre o 3º disco de um Mombojó dividido em tempo, espaço e sentimentos. Depois de 4 anos, a banda soa mais madura, mas ainda confusa. Felipe S. canta de maneira leve sobre o que se sente entre o pensar em terminar um relacionamento e seu fim. “Eu pensei em deixar você me livrar da dor e voar”, ele diz, sem perceber que parece desabafar sobre todas as turbulências que trouxeram sua banda até aqui. (Alê Dos Santos)

Mombojó – Entre A União E A Saudade (ao vivo)

Prova maior da nova fase de Guizado como banda de rock, com Curumin e Régis Damasceno, é a terceira faixa de “Calavera”, “Girando”. Na música, o ritmo quase kraut imposto pelo MPC de Guilherme e a bateria de Curumin colide com os vocais etéreos de Karina Buhr e nos “trompetes delirantes” que você já espera (e que curiosamente me lembraram da trilha de Sonic 2 para Mega Drive). Nem céu, nem terra, “Girando” flutua lindamente nesse novo espaço que o Guizado desenhou para si. (Livio Vilela)

Guizado – Girando

A batida quase mangue-beat imposta por Felipe Vassão a “Avua Besouro” pareceu para muita gente como o Cavalo de Tróia que Emicida precisava para transcender a quase-sempre-fechada-em-si “cena do rap”, o que eu realmente não acredito que tenha sido a real intenção. (Emicida ainda precisava de qualquer coisa para ser reconhecido depois de “Triunfo”? Não para gente.) O fato é que, querendo ou não, “Avua Besouro” dialoga muito mais com o rock ou pop do que com o rap, apesar do sempre afiado flow de Leandro Roque. Principalmente na versão final da música apresentada na mixtape “Emícidio” (uma versão mais crua foi lançada como single no início de 2010), a base parece uma versão mais direta de Nação Zumbi, na qual Emicida encaixa versos com a precisão de um montador de LEGO. Ele até experimentaria outras aventuras sonoras parecidas no resto de “Emicídio”, mas nunca se arriscando tanto como em “Avua Besouro”. Mais do que nunca, Emicida parece pronto para trazer sua batalha para campo aberto. (Livio Vilela)

Emicida – Avua Besouro

Se uma única música pudesse explicar toda a identidade do grupo Do Amor, essa música com certeza seria “Pepeu Baixou Em Mim”. Talvez a canção que tenha fundado a banda (a composição vem do repertório da Carne de Segunda, banda do qual 3 integrantes faziam parte), “Pepeu” carrega ainda a alegria de brincadeira de colégio que o Do Amor deixou de ser faz tempo: amigos músicos (e muito competentes) que resolveram montar uma banda que juntasse rock com música baiana do tempo em que Caetano Veloso ainda cantava “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”. (Alê dos Santos)

Do Amor – Pepepu Baixou Em Mim

Das várias coisas fora do comum na breve história do Dorgas – o fato de serem do Rio de Janeiro, o nome das músicas e da banda, o fato de terem sido blogados antes de fazerem o primeiro show etc – “Bruff” talvez permaneça como a mais estranha delas, mesmo sendo a canção mais “ordinária” do EP de estreia da banda. Há pistas falsas por todo lado. As guitarras ecoando límpidas, a harmonia quase Radiohead fase-“In Rainbows”, a estrutura estrofe-refrão-estrofe-refrão – tudo é cuidadosamente sabotado pela banda para que “Bruff” te mantenha preso e confuso no nevoeiro. É metade encantamento, metade confusão, mas sem dúvidas umas das experiências mais genuínas de 2010. (Livio Vilela)

Dorgas – Bruff

“Toc Toc “começa da típica maneira que se esperaria de uma música de Nina Becker. Uma guitarrinha singela, um xilofone pontuando o ritmo, mais uma guitarrinha gostosa entrando por cima de tudo e tá tudo certo. Quando, meio que de repente, Nina entra cantando um “Hoje eu vi”, que te desperta dessa letargia boa de uma introdução que durou apenas 15 segundos. Depois disso, amigo, é hora de se derreter com a melodia e a voz que Nina vai levando. Com uma letra deliciosa e uma guitarra que está entre as melhores coisas que o Do Amor realizou em 2010 (e olha que não foram poucas). Poxa, essa música podia estar mais pra cima, viu… (Matheus Vinhal)

Nina Becker – Toc Toc

Pedro Bonifrate já tinha experimentado com esse tipo de balada épica em alguns momentos de “Seres Verdes” (especialmente em “3.000 Folhas”), mas os arranjos enevoados daquele disco nunca deixaram tais canções respirarem como deviam. Como “Mágica” já tinha indicado antes, essa “segunda fase” do Supercordas parece soar bem mais vibrante e direta, fazendo “Índico Des Estrelas” o melhor teaser que poderíamos ter de “A Mágica Deriva Dos Elefantes”. Nas palavras do próprio Bonifrate, “Índico De Estrelas” é “talvez a canção de amor mais redonda e concisa que já fizemos”. Não há como discordar. (Livio Vilela)

Supercordas – Índico De Estrelas

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3 respostas para As 50 Melhores Músicas Brasileiras de 2010: 20-11

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  3. Sergio Murilo disse:

    Quarto de dormir já foi gravada por Arnaldo Antunes no DVD Ao Vivo no Estúdio.
    Só um lembrete…

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