As 50 Melhores Músicas Brasileiras de 2010: 10-01

De todas as lições que Thiago Pethit deve ter aprendido durante a confecção do seu primeiro álbum, suspeito que a mais valiosa foi contenção. Havia sempre muito drama, muitas referências e muitas intenções na música de Thiago pré-“Berlim, Texas” e isso por muitas vezes tirava o brilho das canções. Você, claro, podia elogiar os arranjos, a voz e os vários estilos que Thiago interpretava, mas era sempre muito difícil achar um denominador comum, um personagem que ligasse toda aquela trama. Até “Mapa-Múndi”. Escolhida como primeiro single do álbum, a canção resume o exercício minimalista que é “Berlim, Texas”. Pela maior parte da valsinha, ouve-se apenas um piano e voz de Thiago, mais segura do que nunca, pedindo notícias de um amor distante. Thiago aparenta ter uma imensa bagagem que está ávido para explorar, mas em “Mapa-Múndi” ele se basta. E pela primeira, sabemos que ele está exatamente aonde queria. (Livio Vilela)

Thiago Pethit – Mapa-Múndi

Há muitas Tulipas dentro de “Efêmera”: a espirituosa da faixa-título, a tímida de “Só Sei Dançar Com Você”, a autoconfiante, a romântica de “Do Amor”, a tresloucada de “Brocal Dourado” e várias outras que nós ainda nem sabemos. Mas em “Às Vezes” ouve-se cada uma delas. Numa composição tão dela que nem parece que foi escrita pelo seu pai, Tulipa muda de entonação e humor como quem avança para sílaba seguinte. Sem parada nem respiro, ela é nossa guia pelas calçadas da Augusta, pelo bares do centro de São Paulo e pelas mínimas coisas que fazem aquele amor ser tão importante para ela. Quando ela avista o horizonte no fim da viagem, você provavelmente vai estar exausto, mas não há como escapar: você vai querer ouvir tudo de novo. E de novo. E de novo. (Livio Vilela)

Tulipa Ruiz – Às Vezes (ao vivo)

“Em que sonho eu sonho meu sonho igual ao teu?”, indaga Alexandre Kumpinski sob uma camada de efeitos no refrão de “Nescafé”. É possivelmente a pergunta mais bonita que fizeram na música brasileira em muito tempo e demonstra que a Apanhador Só está a anos-luz de distância do resto na habilidade de colocar um bocado de sentimento honesto em 15 segundos de refrão. Sim, eles vão ser comparados exaustivamente aos Los Hermanos, porque essa é a última grande referência que o fã de rock brasileiro tem (mas isso está mudando, vale alertar). No entanto, vamos ser honestos aqui, quando foi a última vez que você ouviu os Los Hermanos fazerem uma canção tão emocionalmente direta quanto essa? (Livio Vilela)

Apanhador Só – Nescafé

“Não Fosse O Bom Humor”, acredito, não precisa de introdução. É a canção do Superguidis. Aquela que eles vão voltar a ouvir, velhinhos, e ainda sentirão orgulhosos. Mesmo mais de 3 anos depois de quando foi apresentada pela primeira vez, “Não Fosse” soa tão vital quanto, jogando luz sobre Andrio e Lucas, os dois trabalhares mais dedicados do indie rock brasileiro da última década. (Livio Vilela)

Superguidis – Não Fosse O Bom Humor

O Vinhal costuma dizer que a melhor definição do (novo) rock brasileiro é “solo de guitarra de bermuda”, num resumo da epifania que ele parece ter tido vendo o clipe de “Contando Estrelas” do Cidadão Instigado. Eu concordo, mas acrescentaria “Copo D’água” nessa definição. Por que haja coisa mais rock à brasileira do que Jeneci solando na safona e disputando atenção com o solo de guitarra de Scandurra em “Copo D’agua”, tudo isso acontecendo sobre a cama de Régis Damaesceno, Curumin e Gustavo Ruiz. (Livio Vilela)

Marcelo Jeneci – Copo D’água


Tem gente que pode reclamar que o som da Garotas Suecas não tenha nada de realmente novo, ficando preso nos anos 60 e 70, basicamente. Pode ser até uma crítica válida, mas a banda aborda suas influências com tanta habilidade e brilhantismo que é dificil não resistir a esse amálgama de funk sententista à la Sly Stone, samba rock e jovem guarda (Erasmo, principalmente). Além de composições em português, uma mais grudenta que a outra, a banda traz na percussão e nos metais a marca distintivamente brasileira, lição dos artistas antropofágicos nacionais de outras épocas que muitos parecem ter esquecido hoje em dia. Mas tudo Ben. (João Oliveira)

Garotas Suecas – Tudo Bem

Ser uma banda foi uma das questões centrais de metade dos discos “de banda” brasileiros que importaram em 2010. No caso do Holger, o que gritava era a experiência de ser banda e como eles aparentemente gostam muito disso tudo. É até fácil de perceber se você já foi num show da banda, conversou mais de de 5 segundos com os 5 ou mesmo acompanha a banda no twitter/facebook. Eles provavelmente estão se fudendo muito como qualquer banda brasileira do porte deles, mas o que aparece aqui é quanta diversão eles parecem tirar disso tudo, e como eles conseguem, em “Let’em Shine Below”, levar o ouvinte junto.  (Livio Vilela)

Holger – Let’em Shine Below

Tatá Aeroplano é um cara conhecido por ser uma das pessoas mais amigáveis da “cena”, mas é quando ele sucumbe a tristeza que saem suas melhores canções. Foi assim há 2 anos na quase-suicida “Sérgio Sampaio, Volta” (ainda imbatível) e é assim em “Cama”, a declaração de amor obsessivo que deu ao Cérebro (finalmente) seu primeiro grande hit. “Cama” ecoa o charme canastrão de Roberto e o gosto pelos extremos de Cazuza, mas o que fala mais alto é a capacidade de Tatá em transformar o Cérebro em algo massivo, sem perder fazer concessões áquilo que o fez chegar até aqui. (Livio Vilela)

Cérebro Eletrônico – Cama

“Efêmera” funcionou para 9 entre 10 pessoas nesse ano como o cartão de apresentação de Tulipa Ruiz. Não só porque é a música que abre o disco homônimo, mas também porque a maioria das pessoas que mostraram alguma música da cantora para um amigo muito provavelmente escolheu “Efêmera” para tocar primeiro. Não há muito segredo nisso, afinal Efêmera condensa todo o trabalho de Tulipa. Produção e arranjos cuidadosos, um timbre latino na percussão, a serenidade completamente confiante da sua voz e, pra finalizar, o toque especial de quando Tulipa canta com uma originalidade atordoante para as outras cantoras a palavra que dá nome a seu disco e a uma das melhores músicas do ano. (Matheus Vinhal)

Tulipa Ruiz – Efêmera

Citamos de “Dança Bonito” pela primeira vez aqui no Bloody Pop há mais de um ano. 12 meses e alguns dias tão intensos que talvez basta dizer que naquela época a tag “marcelo-jeneci” só tinha duas postagens e – dá para acreditar – a tag “tulipa-ruiz” nem existia. Os discos da Nina e o disco do Do Amor ainda estavam 6 meses distantes do lançamento e o “Sunga” do Holger nem havia sido gravado. Voltamos a canção, agora com mais tempo, em março, uma semana antes do lançamento oficial do “RGB” do próprio Jr. Black e na véspera do vazamento de “Superguidis”. “Dança Bonito” era a melhor música brasileira daquele momento e possivelmente ainda é hoje, meses e discos depois.

“Dança Bonito” foi a vencedora improvável. Aquela música que todo mundo (todo mundo = staff do Bloody Pop) gostava de colocar ali entre as suas favoritas, mesmo que ela não fosse a favorita de ninguém. Como editor do Bloody Pop, o fato de “Dança Bonito” estar aqui diz muito sobre o 2010 desse site, da maneira como a gente tentou contar a história da música brasileira nesse ano a nossa maneira, mesmo com tantos solavancos e tropeços (não tá fácil para ninguém, você sabe). Por isso tudo, eu me sinto pessoalmente feliz com o fato de “Dança Bonito” terminar nesse lugar.

Para você leitor, talvez sem entender o último parágrafo e ainda encucado com a nossa escolha, eu só digo “deita ai e relaxa na viagem”, no groove da guitarra dos Mombojós Felipe e Marcelo, nas pirações da produção de outro Mombojó, o Chiquinho (e China) e no flow desleixadamente certeiro de Jr. Black (curiosidade: a “melhor música brasileira de 2009” também era vinha com a tag Hip Hop). É uma baita música, a maior mesmo depois de tudo aquilo que você ouviu nas 49 outras dessa lista. (Livio Vilela)

Jr. Black – Dança Bonito

[audio: https://bloodypoparquivo.files.wordpress.com/2011/01/10_thiagopethit_mapamundi1.jpgaudio/jr-black–danca-bonito.mp3%5D
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5 respostas para As 50 Melhores Músicas Brasileiras de 2010: 10-01

  1. Guilherme. disse:

    Não ter Tsunami do Violins sequer entre as 50 melhores é um pecado, isso pra não dizer um crime mesmo.

  2. VIVA “DANÇA BONITO”!
    essa música é sensacional mesmo, tá certíssimo esse primeiro lugar!
    muito bom bicho, acho que essa foi a melhor lista que vi até agora!

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