LCD Soundsystem @ Vivo Rio, 17/02/2011

James Murphy estava cansado. Era o terceiro show da banda no Brasil naquela perna da turnê. Uma turnê que já tinha passado por quase todos os lugares por onde passam turnês de bandas indies na nossas época. A demanda era grande: todo mundo queria ver “All My Friends” – a música daquele ano – ao vivo, como se isso fosse um broche “2007, eu vivi”. A alegria e o descontrole eufórico das 300 pessoas que dançavam espalhadas debaixo da tenda do Circo Voador contrastavam com a estafa estampada na cara de James e de sua banda. Era demais para qualquer homem, mas mesmo assim ele fazia o esforço para seguir a risca o protocolo e dar àquelas pessoas 2 horas de estado de graça musicado por um híbrido perfeito de rock, música eletrônica e maturidade sem culpa. Foi um grande show, banda e público concordariam.

Corta para 2011. Numa casa maior e proporcionalmente tão vazia quanto a de 3 anos atrás, James Murphy continua cansado. E um pouco nostálgico. O cansaço tinha gerado um álbum sobre estar cansado, proclamado como último do LCD Soundsystem. Uma promessa que, para desespero dos fãs, será provavelmente cumprida dia 3 de abril, quando a banda fizer seu último show em casa, no Madison Square Garden. Será “o fim de uma era”, vão dizer. Nem James, nem eu somos capazes de discordar.

O LCD Soundsystem está fazendo isso de “acabar” errado, mas da maneira mais certa e mais terna possível. Eles estão dizendo “adeus, vocês foram muito legais com a gente! muito obrigado mesmo!” enquanto a maioria das bandas acabam dizendo “é, acabou, sigam com as suas vidas e mês que vem comprem a coletânea de sucessos que a gravadora nos obrigou a lançar”. Eles estão fazendo shows incríveis como o de 3 anos atrás, quando o normal seria subir uma mensagem no site da banda enquanto negocia o deal do próximo projeto com a gravadora que vai lançar o disco.

Ao contrário do “I fucking hate the music biz” dos anos passados, o que se escondia debaixo do cansaço de James dessa vez era o fato de que esses shows que antecedem o fim são muito mais importantes para o LCD Soundsystem do que para o público. Não importa o quanto você tenha gritado em “All My Friends” ou “Home”, nem o quanto o seu corpo tenha dançado em “Yeah” ou “Daft Punk”, a pessoa que parecia mais estava feliz por aquele show ter sido tão foda era o próprio James (duplamente emocionado devido ao Queremos), dando tudo de si mais uma vez, como ele tem feito na última década.

Não é muito justo da minha parte colocar palavras na boca da banda, eu sei. Só que, no fundo, a impressão que fica é que esse show que o LCD Soundsystem trouxe para o Brasil funciona para gente e para banda como um resumo do que foram os anos 00 na música e no que a cerca (“There’s lights and sounds and stories / Music’s just a part”) e também como um epílogo disso tudo. É hora de ir “pra casa” viver outras coisas, diz James por todo “This Is Happening”. Não vai ter outro bis.

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